sexta-feira, 10 de julho de 2020

Ser humano de verdade: Maria Augustina Ribeiro

Na maioria das vezes, vida de atingidos por barragens é sempre uma novela, só que com final infeliz. Os atingidos viviam em terras de baixada, isolados do Estado Burguês, do conflito capital versus trabalho, plantavam mandioca, feijão, banana em terra molhada e tudo crescia tranquilamente, sem a necessidade de adubos. A vida seguia, sem maiores atropelos. A família se reunia, sem pensar em competição. O problema é quando o conhecimento proletário se alia à ganância do sistema capitalista. A partir daí, sobrevivem melhor aquelas pessoas mais espertas, mais oportunistas, mais especuladoras.

Das 28 famílias atingidas pela Barragem do Peão (em linguagem popular, Pinhão), em São João do Paraíso, Extremo Norte de Minas Gerais, Sudeste do Brasil, 14 estão hoje desmotivadas e são presas fáceis para especuladores de plantão. Se não fosse a pressão de movimentos, pastorais sociais e associações comunitárias, como a Cáritas Arquidiocesana de Montes Claros, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), as vítimas desse processo estariam em situação muito pior.

Empreendida pela Fundação Rural Mineira (Ruralminas) e construída pelo Consórcio Galvan/Pavisan, a Barragem do Peão já está fechada. Faz parte do pacote de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), conforme texto da matéria de divulgação publicada no site www.ruralminas.mg.gov.br, na quinta-feira, 10 de julho de 2008, às 11h e 17min, cujo título é “Barragem de Peão vai disponibilizar água no Semiárido Mineiro”.

Nessa mesma matéria, outros esclarecimentos. “De acordo com a direção técnica da Ruralminas, o Complexo da Barragem de Peão irá acumular 35 milhões de metros cúbicos de água, e contará com um reservatório de 330 hectares de área. “Tudo está sendo feito dentro dos critérios estabelecidos pelo Programa de Controle Ambiental, que engloba o monitoramento e o resgate da fauna terrestre, por ocasião do fechamento da barragem. A área que será inundada será antes desmatada para não comprometer a qualidade da água. Também estão previstas ações de assistência social às famílias e a disponibilização de infraestrutura viária e conservação de estradas vicinais de acesso à barragem”.

“Fecharam a barragem sem autorização. Governo não tá sabendo de nada. Manda pagar”, denuncia agricultor em conversar com agente da CPT. O fechamento da barragem aconteceu no começo deste ano [2011]. A água que vem do Rio São João já alaga a área onde viviam as 14 famílias atingidas em 17 metros de profundidade. O desmate da região não foi feito totalmente e pode trazer sérios prejuízos na qualidade da água. As águas que vem do Córrego Carrascão, ou Vaca Seca, também ajudará a encher a barragem, processo que deve demorar cinco anos. Enquanto isso, as famílias prejudicadas pelo empreendimento começam a sentir na pele problemas intensificados e caracterizados pela urbanização capitalista desenfreada: prostituição, alcoolismo, depressão. A ação social ali é mínima.

Na terça-feira, 05 de abril de 2011, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) visitou esse empreendimento. Depois de uma viagem de mais de 323,8 quilômetros de asfalto e terra foram acolhidos pela Associação Comunitária dos Agricultores Atingidos pela Barragem do Peão. Conversaram bastante, percorreram toda a barragem e visitaram três casas de famílias atingidas. A terceira casa visitada foi a do casal dona Anita e seu Toni. Este aparenta estar muito doente. Não há acompanhamento do Programa de Saúde da Família (PSF) no local. 

Entrevistada pelos missionários da CPT e da Associação, dona Anita considera sim que a Barragem trouxe algum benefício para os moradores da área hoje alagada. “Pra mim, nuns ponto, ficou bom; em outros, ruim”, confessa. Ela reclama de terreno da mãe que foi alagado e que tinha 120 hectares. “Quatro herdeiros juntou pra cima de mim”. “Minha mãe, com três meses, morreu”, conta dona Anita. Em troca, ela recebeu 53 hectares e ofereceu 20 hectares para divisão entre as irmãs dela. “Marlene, Marli, Marlúcia e outro lá”, ao se referir ao único irmão. “Mamãe perdeu o terreno dela que era dos cinco. Ela morreu, mas deixou no mapa”, confirma a história. “Dos 53 hectares que recebi, tirei 20 para os herdeiros”, justifica ainda. 

A mãe de dona Anita era Maria Augustina Ribeiro e faleceu aos 75 anos, em julho de 2007, quando o processo da Barragem do Peão engatinhava. “Tava começando a fazer a limpeza da barragem. Eu nasci e criei lá. Eu plantava, sem adubos, mandioca, feijão. O transporte melhorou. No dia em que mudei, deixei 15 caixas de banana lá”, relembra dona Anita e sonha em ter uma vida melhor para toda a sua família. “Eu quero mais. Se vocês puderem me ajudar, eu quero!”, afirma consciente. Seu Toni, marido de dona Anita está com problemas. Não é aposentado. “Inventa de trabalhar, mas o braço não aguenta”, revela dona Anita. “Eu me aposentei”, informa.   

terça-feira, 7 de julho de 2020

Ser humano de verdade: Antônio Gonçalves Maciel

Professor da Unimontes diz que sindicatos foram berço da sua formação política

Durante toda a tarde de sábado (13/08/2011), no Auditório do Colégio Marista São José, Bairro Roxo Verde, em Montes Claros, aconteceu Seminário das Pastorais Sociais. A assistente social, Sônia Gomes de Oliveira, conduziu os cerca de 100 participantes para instante de mística, de acordo com o consagrado método Ver, Julgar e Agir. Na apresentação dos participantes, a liderança da Comunidade Nossa Senhora de Fátima da Paróquia Nossa Senhora da Consolação os incentivou a uma maior socialização, com cada um se cumprimentando e entrosando mais o grupo de formação preparatório para o 17º Grito dos Excluídos, cujo tema em 2011 é “VIDA EM PRIMEIRO LUGAR - PELA VIDA GRITA A TERRA... POR DIREITOS TODOS NÓS!!!”.

Atual coordenadora das Pastorais Sociais, a liderança da Paróquia São Francisco de Assis de Montes Claros, Marilene Alves de Souza (Leninha), colaborou também com o entrosamento dos participantes. Ressaltou que eram diversas vozes presentes através das várias entidades ali representadas. Leninha apresentou o palestrante do dia: o analista político e professor de Ciência Política da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Antônio Gonçalves Maciel, que mostraria a conjuntura econômica, social e política da sociedade montes-clarense e norte-mineira. Leninha reforçou que esta é a hora de mobilizar mais pessoas para o 17º Grito dos Excluídos.

Na apresentação dos participantes, Sônia Gomes de Oliveira recordou da Irmã Marilda de Souza Lopes, que estava presente o tempo todo no Seminário, sobre o 1º Grito dos Excluídos realizado nesta Igreja particular, em 1994, na Comunidade Nossa Senhora Aparecida (Bairro Major Prates), Paróquia São Norberto, em MOC. Irmã Marilda aproveitou a deixa para observar questões sobre a mineração que atingirá cidades do Norte de Minas Gerais e Vale do Jequitinhonha, como Fruta de Leite, Grão Mogol e Salinas. Não tem jeito de frear essa mineração, porque essa atividade destrói e acaba com tudo, desde a natureza até relações sociais das mais humanas, frisou mais ou menos assim a Irmã Marilda.

Logo após, o palestrante Antônio Gonçalves Maciel teve cerca de uma hora e 10 minutos para expor o tema da sua palestra: “Análise da Conjuntura Política - Agosto de 2011”. O tempo inicial da palestra foi de 40 minutos, mas, em virtude da sabedoria do palestrante e do envolvimento dos participantes, a Coordenação do Seminário possibilitou que a palestra ultrapassasse o tempo planejado. Logo após a palestra, houve abertura para perguntas dos participantes para o professor.

Em 1982, “nós estávamos aqui neste salão participando” das atividades organizadas pela Pastoral da Juventude e que envolviam muitos organismos, iniciou Antônio Maciel a sua palestra. Enfatizou a sua participação em sindicatos, como na criação do Sindicato da Saúde e na Central Única dos Trabalhadores. Os sindicatos foram “o berço de onde adquiri toda a minha formação política”. Minha vida de sindicalista e minha participação em movimentos operários me ajudaram na minha politização.

Ser humano de verdade: Ivany Mateus Rodrigues da Silva

Diretório Estudantil de MOC 

Rua dos Estudantes, 117, Vila Santa Maria, CEP 39.401-082, Montes Claros, Norte de Minas Gerais. Este é o endereço da sede do Diretório dos Estudantes de Montes Claros (Demc). Mas o prédio cinza da entidade, que seria para atender os estudantes secundaristas do município, por incrível que possa parecer, está hoje alugado para a Universidade Anhanguera/Uniderp Interativa e o aluguel de R$ 900 é repassado diretamente para pagar dívidas trabalhistas com funcionários. Isso é só uma parte do problema que envolve a entidade estudantil.

Desde as 20h do dia 11 de agosto [Dia do Estudante], terça-feira, líderes estudantis decidiram ocupar a sede do Demc após perceberem irregularidades na eleição da nova Presidência do organismo, dentre elas, troca de nomes em uma das chapas que disputavam o pleito. Nesse dia, 22 estudantes dormiram no local da ocupação interna, que durou até quinta-feira (13), quando a ação policial exigiu a saída dos manifestantes.

Na sexta-feira, 14 de agosto de 2009, por volta das 13h, aproximadamente 10 estudantes ainda permaneciam acampados do lado de fora da sede do Demc, que mostrava uma cena nem um pouco normal para quem passava pela Rua dos Estudantes: duas barracas armadas na rampa de acesso ao prédio. Uma faixa explicava o que ocorria ali: “Nós, estudantes secundaristas, exigimos transparência e eleições legítimas no Demc”.

Descontentamento

Há seis anos na Presidência da entidade, com renovação de mandato a cada dois anos, a Administração Márcio Cardoso provoca mais apreensão do que satisfação nos filiados do Demc - cerca de três mil pessoas -, que pagam anualmente de três a cinco reais para tirar a carteirinha de sócio do organismo, que dá mais chateação do que favorecimento aos estudantes, sobretudo aqueles mais carentes. “O Demc tem muita falcatrua. Tinha carro. Vendeu”, criticou Ivany Mateus Rodrigues da Silva, 26 anos, que cursa a 5ª Série na Escola Municipal Jair de Oliveira, Bairro Jardim Eldorado.

Do seu arquivo pessoal, ele mostrou reportagem de Fabíola Cangussu, publicada em 05 de setembro de 2008, na página 04 do jornal “O Norte de Minas”, que denunciava o estado lamentável da entidade. O prédio do Demc comporta muitas salas que poderiam ser transformadas em dormitório para os estudantes menos favorecidos do município. Rodrigues da Silva reclamou também de uma certa “ideologização” do Demc, que ainda tem, em suas disputas internas, a participação da União da Juventude Socialista (UJS), ligada ao PCdoB.

Liderança do Movimento Estudantil Unificado de Montes Claros (MEU-MOC), da Juventude do Partido dos Trabalhadores (JPT) e estudante do Centro Estadual de Ensino Continuado, Marco Aurélio Alves Soares, 25 anos, reforçou o pedido dos manifestantes de “mais transparência no processo eleitoral e impugnação de toda a comissão eleitoral”.

Acordo

No último dia de ocupação do Demc [sexta-feira, 14 de agosto], os manifestantes entraram em acordo com a atual diretoria. “Com a negociação, todos os delegados que foram tirados serão anulados. Começará tudo de novo semana que vem [esta semana]. Só não abrirão novas inscrições para chapas”, esclarece a estudante secundarista Maria Tereza Queiroz Carvalho, via MSN, no sábado, 15 de agosto. Agora é visitar e mobilizar as 120 escolas particulares e públicas do município.

[sexta-feira, 14 de agosto de 2009, por volta das 13h]

Ser humano de verdade: Alcina Nunes de Souza

Em Padre Carvalho, Pastoral da Criança completa 21 anos e canta com o “Sementinha de Deus”

A Pastoral da Criança da Comunidade Nossa Senhora da Paz de Padre Carvalho, Setor Norte da Arquidiocese de Montes Claros, celebrou no dia 12 de abril de 2009 os seus 21 anos de missão em favor da vida. Às 9h, foi celebrada missa em ação de graças e que foi presidida pelo coordenador arquidiocesano de pastoral, padre Reginaldo Wagner Santos. A cerimônia religiosa teve a participação de lideranças comunitárias, da equipe de apoio da Pastoral e das mães e crianças beneficiadas pelo organismo de ação social.

O coral infantil “Sementinha de Deus” se responsabilizou pelos cânticos da santa missa. O coral tem a coordenação de Alcina Nunes de Souza, também coordenadora deste ramo da Pastoral da Criança. Após a celebração, foi oferecido almoço comunitário para as líderes, o padre e o “Sementinha de Deus”. “Foi um momento de paz e de alegria para todos”, afirmou Alcina de Souza.

Padre e leiga reanimam Pastoral da Criança em São João da Lagoa

A Pastoral da Criança da Quase-Paróquia São João Batista de São João da Lagoa agradece a coordenadora arquidiocesana do organismo de ação social, Ana Martins Ferreira, e sua equipe capacitadora, pelo esforço e apoio dado à região do Setor Sudoeste da Arquidiocese de Montes Claros. Cinquenta e seis lideranças foram formadas para recomeçarem as atividades na região. As ações do organismo estavam paradas.

Através da nova coordenadora local, Maria de Jesus Crisóstomo, e do incentivo do administrador paroquial, padre Marcos Antônio Pereira, a Pastoral da Criança em São João da Lagoa está a caminho do resgate da vida e da esperança. “Nunca podemos desanimar diante das dificuldades. Deus nos chamou para continuar a sua missão de discípulos missionários”, ensinam as lideranças da cidade norte-mineira.

Pastoral da Criança realiza festa beneficente no Clube dos Ferroviários

A Pastoral da Criança da Paróquia Santa Rita de Cássia de Montes Claros realiza Festa Beneficente no dia 11 de julho de 2009, às 19h, no Clube dos Ferroviários. Segundo o coordenador paroquial da Pastoral, Maicon Deivison Pinto Tavares, o objetivo do evento é arrecadar fundos para ajudar nos trabalhos do organismo de ação social deste ramo, que atende aos bairros Santa Rita I e II, Francisco Peres, Clarindo Lopes, Morrinho, Doutor João Alves, Antônio Pimenta, Sumaré, dentre outros.

Em ofício enviado a empresas e estabelecimentos comerciais locais, Maicon Tavares solicita "doações de arroz, feijão, mandioca, trigo, farinha, leite, refrigerante, açúcar, óleo, milhos de canjica e pipoca, amendoim, costela bovina, carne moída, massa de pastel, mussarela, presunto, leite condensado, mandioca, coco". Outras informações pelo telefone (38) 3222-5978.

Assembleia da Pastoral da Criança vota nova Coordenação

Neste final de semana, 10 e 11 de julho de 2009, aconteceu na Casa de Pastoral, Bairro Santo Antônio, em Montes Claros, Assembleia Eletiva da Pastoral da Criança Arquidiocesana. Segundo informações de Maicon Deivison Pinto Tavares, estudante secundarista e coordenador da Pastoral da Criança da Paróquia Santa Rita de Cássia de MOC, Irmã Raimunda Dorilene Pinheiro Pereira pode ser a nova coordenadora arquidiocesana, substituindo a leiga Ana Martins Ferreira. A eleição aconteceu no sábado (11). "A Assembleia contou com a presença dos coordenadores paroquiais de toda a Arquidiocese de Montes claros”, conta Tavares.

O encontro começou com missa presidida pelo padre Joaquim Maria Lopes, pároco da Paróquia São Sebastião de Mirabela, região onde a atuação da Pastoral da Criança é uma das mais fortes. "Logo em seguida, a Irmã Dorilene fez um lindo trabalho de espiritualidade", revela o coordenador paroquial do organismo de ação social. Depois, a coordenadora estadual da Pastoral da Criança, Conceição Aparecida Vilela, comparando com outras dioceses do Brasil, mostrou que ocorre uma diminuição, na região, no acompanhamento de crianças de zero a seis anos.

A seguir, o coordenador da pastoral da Criança da Paróquia Santa Rita de Cássia de MOC perguntou à Irmã Dorilene se ela aceitaria ser candidata ao cargo de coordenadora arquidiocesana da Pastoral da Criança. "Estou à disposição para o que a Assembleia decidir". Foi a declaração da irmã franciscana missionária diocesana da Encarnação. "A resposta da religiosa foi aplaudida e bem aceita pela maioria da Assembleia ali presente", reforça Maicon Tavares.

Mais esclarecimentos

A votação para a eleição da nova Coordenação Arquidiocesana da Pastoral da Criança contabilizou 67 votos: 32 para a Irmã Dorilene, 23 para a leiga Ana Martins Ferreira, atual coordenadora, e 12 votos para a secretária da Pastoral, Vilma Aguiar. "Sendo assim, deu-se por encerrada a Assembleia, com muita satisfação dos participantes", atesta o coordenador paroquial. Os três nomes escolhidos compõem a lista tríplice que será apresentada ao arcebispo metropolitano de Montes Claros, dom José Alberto Moura, que apreciará a decisão da Assembleia e dará o seu voto de confiança.

Ser humano de verdade: Antônio Ataíde Durães

VALE-TRANSPORTE - Assembleia do Cerradania constata apoio popular a Ministério Público

Aconteceu no começo da noite de quinta-feira, 04 de junho de 2009, no Salão da Casa de Pastoral Comunitária - Rua Grão Mogol, 313, Centro, ao lado da Catedral de Montes Claros -, Assembleia Geral Ordinária do Centro de Referência, Apoio e Defesa da Cidadania (Cerradania) para prestar contas, avaliar as atividades da entidade, planejar novos trabalhos e analisar a realidade social da cidade. Na abertura do encontro, que reuniu cerca de 30 associados, a secretária do Cerradania, a assistente social Sônia Gomes de Oliveira, leu o artigo “Deus no meio do fogo”, do arcebispo metropolitano de Montes Claros, dom José Alberto Moura, publicado no site da Arquidiocese de Montes Claros (www.arquimoc.org.br) em 03 de junho de 2009, às 22h e 11min.

Presidente do Cerradania, o advogado André Alves de Souza comentou que o texto de dom Moura ilumina a luta dos movimentos e pastorais sociais. Ele destacou também a diversidade cultural de cada organismo e das pessoas que o representam. O advogado Marcos Antônio de Souza reforçou que a criação do Cerradania em 18 de fevereiro de 2008 é a legitimação do trabalho do Comitê Municipal de Combate à Corrupção Eleitoral, que foi fundado na cidade em junho de 2004.

As manifestações apresentadas nesta Assembleia Geral do Cerradania contemplaram o Conselho Municipal de Igualdade Racial, que deveria incluir não apenas negros e índios, mas também migrantes, como latino-americanos, judeus, palestinos, europeus, etc. A reunião constatou apoio popular ao Ministério Público de Montes Claros, que move ação contra a Prefeitura Municipal pelo aumento abusivo da passagem do transporte coletivo urbano de R$ 1,55 para R$ 1,90, que entrou em vigor em 13 de abril de 2009. Suspeita-se que esse acréscimo no vale-transporte do trabalhador seja para viabilizar o Meio-Passe Estudantil, promessa de campanha do atual prefeito Luiz Tadeu Leite e de outros políticos. O embasamento jurídico para contestar a administração municipal partiu do Cerradania. Além do preço da passagem do transporte coletivo em MOC estar muito alto, a distribuição das linhas é muito precária. A fiscalização severa da hoje MCTrans, antiga TransMOC ou TransMontes, com ambulantes e trabalhadores informais também foi criticada.

A entidade verificou, em sua Assembleia, que a cidade está em transição, e observou que melhorias urbanas no município dependem muito dos montes-clarenses natos e dos seus moradores, como donas-de-casa, pedreiros, carroceiros, empresários, profissionais liberais, etc. É urgente criar opinião pública séria em Montes Claros. As demandas são muito grandes.

Prestação de Contas

O balanço financeiro do Cerradania, em seu primeiro ano de ação social, registrou uma receita de R$ 3.525,00, em 19 de fevereiro de 2008, um dia depois da fundação da entidade. As despesas foram de R$ 3.319,43, até 31 de dezembro de 2008, com um saldo de R$ 5,57. Os gastos do Cerradania foram com o registro do estatuto do organismo, material de escritório, apoio à Campanha Ficha Limpa com veiculação de propaganda na televisão no valor de R$ 3.041,50, dentre outras despesas. O Conselho Fiscal do Cerradania, que é formado por Marilene Alves de Souza, Mauro Peres Ferreira e João Carlos Pereira, aprovou por unanimidade as contas da entidade que foi apresentada pelo sociólogo Antônio Ataíde Durães.

As atividades do Cerradania englobaram curso de capacitação em Fruta de Leite, Vale do Jequitinhonha (MG), conscientização comunitária sobre os Comitês de Combate à Corrupção Eleitoral (Lei 9.840/99), como a do Bairro Village do Lago, Encontro de Fé e Política nas paróquias Senhor do Bonfim e Sagrado Coração de Jesus, em Bocaiúva (09 de setembro de 2008), debate com candidatos a vereador do Grande Santos Reis (14 de setembro de 2008), debate com candidatos a prefeito na Paróquia Santos Reis de Montes Claros (21 de setembro de 2008), no Auditório Irmã Juliana do Instituto Santo Antônio de Formação, Educação e Cultura (Isafec), Bairro Eldorado, debate com candidatos a vereador do Cintra (23 de setembro de 2008), participação dos associados os advogados André Alves de Souza e Marcos Antônio de Souza, e o juiz de Direito, Danilo Campos, em encontro de advogados, em Brasília, Distrito Federal, para discutir o combate à corrupção eleitoral e administrativa.

Eleitores montes-clarenses declararam também que mudaram o voto em função de panfleto produzido pelo Cerradania, em outubro de 2008, que denunciava 13 postulantes à Câmara Municipal de Montes Claros que estão com problemas judiciais a resolver: Ademar de Barros Bicalho (PTB), Athos Mameluque Mota (PMDB), Aurindo José Ribeiro (PPS), Rosemberg dos Anjos Medeiros (DEM), Maria de Fátima Pereira Macedo (PSDB), Sebastião Ildeu Maia (PP), José Maria Francisco de Oliveira (PRB), Heráclides Gonçalves Filho (PV), o Júnior Sambambaia, Eurípedes Lipa Xavier Souto (PCdoB), José Marcos Nem Martins de Freitas (PR), Raimundo do INSS Pereira da Silva (PDT), Sebastião Tião Prezilino Alves (PDT) e José Zé Faquir Maria Saraiva (PSC). O relatório das atividades, feito a partir da criação do Cerradania, está disponível na Casa de Pastoral Comunitária.

Propostas

Na Assembleia do Cerradania, os associados propuseram criar um grupo para fazer planejamento, providenciar o registro da entidade no Conselho Municipal de Assistência Social (Cmas), cópias das ações movidas pelo Cerradania denunciando irregularidades, mobilizar pessoas interessadas em trabalhar mais, determinar funções na entidade, fixar datas referenciais para encontros, exigir a abertura de concursos públicos na contratação de pessoal para trabalhar em órgãos municipais. Foi comentado ainda na Assembleia o Projeto Ficha Limpa, que o Senado deseja aprovar para coibir mais suavemente a corrupção eleitoral e administrativa, adiantando-se assim à Campanha Ficha Limpa. A secretária e assistente social do Cerradania, Sônia Gomes de Oliveira, informou que foi liberado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que os abaixo-assinados da Campanha Ficha Limpa recolham apenas nome completo, assinatura ou impressão digital e data de nascimento dos cidadãos maiores de 16 anos com título de eleitor. A assistente social mencionou ainda mobilização que ela faz na Escola Estadual Simeão Ribeiro Santos.

A análise crítica dos meios de comunicação locais para evitar a manipulação das pessoas foi a sugestão de Jorge Miguel da Silva Farinha, morador a quatro anos do Bairro Santa Rafaela, Grande Maracanã. Ele citou o site da Arquidiocese de Montes Claros - www.arquimoc.org.br -, como um meio de comunicação que promove a cidadania, enquanto que os jornais “Gazeta Norte-Mineira”, “Jornal de Notícias” e “O Norte de Minas” são todos vinculados a grupos políticos da cidade norte-mineira. Como ensinava o historiador Nélson Werneck Sodré, falecido em 1999 e autor do livro “A História da Imprensa no Brasil”, que ele demorou uns 30 anos para escrever, atualmente é mais fácil pagar a opinião dos jornais existentes do que criar e manter periódicos independentes.

Daí o grande número de jornais impressos comunitários que servem para preencher o vazio deixado pela “grande mídia”. Outra solução para alertar socialmente os meios de comunicação tradicionais é explorar mais as novas tecnologias de comunicação, como os “blogs” (diários virtuais). Uma advertência envolve a publicidade, que o alemão Jürgen Habermas, em seu livro “Mudança estrutural da esfera pública: investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa”, classifica em publicidade crítica e manipulativa (a mais forte e real no mundo contemporâneo). O poeta concretista Décio Pignatari sempre chama a atenção sobre os gastos exorbitantes de governos com publicidade e propaganda. 

Essas “despesas” podem ser indícios de lavagem de dinheiro público (para anunciar em outdoors em MOC, deve-se desembolsar R$ 300,00 mensais). “Marketing é o jeito mais fácil de desvio de verba”, afirmou o deputado estadual Carlin Moura (PCdoB), durante Audiência Pública da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia e Informática, no Plenarinho II, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que debatia, em 09 de abril de 2008, irregularidades em demissões de professores da Universidade Fumec, em Belo Horizonte. Então a divulgação maior e consciente é fundamental. Por isso a necessidade de unir companheiros, com ideologia semelhante, para ajudar a tornar mais conhecido o Cerradania.

Mais protestos

Os participantes da Assembleia reclamaram também dos postos de saúde da cidade: sem soro fisiológico, médicos, gazes para curativos. O desrespeito com os profissionais da saúde produzem casos como o de uma moradora da Vila Greice, que precisa de consulta com um cardiologista, mas espera semanas para conseguir a ficha de atendimento. Os servidores municipais são ameaçados, caso reclamem das más condições de trabalho. Quando não há dinheiro para coisas básicas, é sinal de que a situação está muito problemática e exige atitudes urgentes. Só com uma medida judicial, os Conselhos Tutelares da cidade conseguiram internar em hospitais duas meninas em situação de surto por causa da já dramática realidade municipal de abuso e exploração sexual infanto-juvenil.

Estudantes estão com problemas na merenda e no material escolar (Medida Provisória foi aprovada recentemente no Senado prescrevendo que 30% da merenda escolar sejam provenientes da agricultura familiar). As mortes e os assassinatos na cidade crescem a cada dia. O esvaziamento dos partidos, sindicatos, da Câmara Municipal é evidente. Então é emergencial a conscientização da população para pressionar por políticas públicas que defendam a vida e deem autonomia aos conselhos municipais. Criar frentes de trabalho nas áreas de defesa da vida, da fiscalização, dos direitos humanos, da comunicação pode ser a solução. Para isso, é preciso dividir melhor as frentes e dinamizá-las. Promover ação direta aos vereadores e prefeitos - um ato para repercutir na cidade seria o ideal -, tornando o Cerradania referência, instituindo-a e consolidando-a para acolher os anseios e as mobilizações das comunidades.

Para isso, na Assembleia Geral, o Cerradania constituiu Grupo de Trabalho (GT) para pensar métodos que concretizem essas propostas. O GT do Cerradania é formado pelo filósofo José Geraldo Leão (Kojac), Jorge Miguel da Farinha, Flávia Araújo de Almeida, Sônia Gomes de Oliveira e Marilene Alves de Souza (Leninha). No final da Assembleia Geral do Cerradania de 04 de junho de 2009 foi aprovado por unanimidade grande ato público na Praça Doutor Carlos, local no centro comercial de MOC com maior trânsito de veículos automotores e pessoas. Foi comentado também sobre a necessidade de se identificar os problemas sociais de Montes Claros através de um estudo da cidade, que as Faculdades Santo Agostinho realizaram a respeito das entidades sociais municipais. Ficou combinado ainda que a mensalidade dos associados seria quitada com o pagamento de R$ 5,00 para 2008 e de R$ 5,00 para 2009.

Perfis

Pela segunda vez conselheira eleita do Conselho Municipal de Segurança Alimentar (Comsea) para representar a Mitra Arquidiocesana de Montes Claros, Sônia Gomes de Oliveira também ocupa o cargo de segunda-secretária do Conselho Arquidiocesano de Leigos (Coarle). Ela também é vice-presidente do Conselho de Leigos do Regional Leste II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). 

A assistente social é liderança comunitária em MOC e no Norte de Minas Gerais. Ela atua com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), participa de abaixo-assinados, como o da Campanha Ficha Limpa, e ajudou a criar, dá apoio e assessora a Associação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Montes Claros (Ascamoc), dentre outros trabalhos.

Nascido em Bocaiúva, André Alves de Souza mora em MOC desde 1987. Ao lado do advogado e amigo, Marcos Antônio de Souza, presta assistência a sindicatos de trabalhadores rurais, a quilombolas, indígenas, populações tradicionais e assessora juridicamente o Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA-NM), dentre outros serviços. Antônio Ataíde Durães é sociólogo e servidor público há 21 anos em MOC. Também servidor público municipal, Carlos Gonzaga mora no Bairro de Lourdes. Maria de Fátima Alves Cruz é moradora do Bairro São Judas e agente da Pastoral do Menor.

[segunda-feira, 08 de junho de 2009]

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Ser humano de verdade: Maria de Arruda Maia da Silva

Moradora de 97 anos do Morrinho vive na extrema pobreza nos fundos de uma emissora de rádio

Bairro Morrinho, Montes Claros, Norte de Minas Gerais. O lugar abriga o segundo sistema de abastecimento de água da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) da cidade norte-mineira. A região também acolhe a InterTV Grande Minas (afiliada da Rede Globo de Televisão), a Rádio 98,9 FM e a histórica igreja Nosso Senhor do Bomfim. Nos fundos da emissora de rádio, bem pertinho, mora uma senhora de 97 anos em uma casa de adobe com dois pequenos cômodos (quarto e cozinha, sem banheiro). 

Esta senhora é Maria de Arruda Maia da Silva, nascida em Grão Mogol em 25 de novembro de 1911. É filha de José de Arruda. “Minha mãe é da família dos Maia, de Juramento, e meu pai é dos Arruda, de Grão Mogol”, conta. Ela veio para Montes Claros com 30 anos e reside há uns 15, e muito precariamente, em uma casa de fundo de quintal do Beco Quatro, 67, Morrinho. Vive rodeada de cães, gatos e galinhas dentro e fora de casa. Ela diz ter um filho que mora próximo da Prefeitura Municipal.

“Meu povo vai me tirar daqui e me levar pra Grão Mogol. Tô precisando sumir daqui”, afirma dona Maria, aposentada - “encostada, né?!” -, com um salário-mínimo. “Uma mixaria. Não dá nem pra passar o mês”, reclama. “Saio na rua, um vem e dá uma coisa, mas dinheiro nada. Não passo fome porque o povo não deixa”, revela dona Maria.

“Sou cristã do Brasil”, responde ela ao ser perguntada sobre sua religião. Muito desconfiada, ela relembra fatos ocorridos no Bairro Morrinho. “Um cara que sobe em cima de uma telha matou dona Caçula e seu Cardoso”. Sobre críticas, ela “escuta aqui e sai aqui”, fala ao fazer gesto de uma orelha à outra. “Se apurar morre”, cochicha.

“Quero ir pra debaixo do chão, mas não pra asilo”, declara dona Maria. “Aqui só entra proteção de Deus. Meu sangue é puro. Tô caducando, mas meu sangue é puro”, reforça ao ser questionada sobre sua saúde. Ela diz tomar “muita vitamina”, mas “nenhum leite entra aí pra mim”. Na despedida, dona Maria reza para “que Nosso Senhor olhe por vocês” e deseja “muitos anos de vida, saúde e proteção”.

Sem PSF

“Tô pelejando pra acender um foguinho. Não tomei café até agora”. Na chegada à casa de dona Maria em uma segunda-feira cedo, ela estava tentando fazer o seu café da manhã e, se não fosse a líder comunitária Maria da Glória Galvão, moradora do Bairro Santa Rita e líder comunitária há cinco anos no Morrinho, muito provavelmente a idosa ficaria sem tomar essa importante refeição. Glória trouxe garrafa com café e prato com bolo para dona Maria.

Quando era voluntária da Pastoral da Pessoa Idosa Arquidiocesana, a liderança do Morrinho acompanhou a moradora mais velha do bairro e anotou suas observações em um caderno e no cadastro da Pastoral, datado de 20 de fevereiro de 2006. Dona Maria quase não bebe água, sente dores no peito e vive com problemas de bexiga solta. Nenhum médico ou agente do Programa Saúde da Família (PSF) tem coragem de visitar esta pessoa idosa.

Vizinho de dona Maria, Petrônio Alves Pereira, 43 anos, é um dos donos do terreno onde fica a casa dela. Ela pagaria um aluguel aos proprietários. Mas, em virtude da situação de envelhecimento e pobreza extrema de dona Maria, Pereira conduz o problema com fraternidade. Ele relata que a idosa costuma dar uma nota de R$ 50 por um cafezinho que vale R$ 0,50.

Já o parente mais próximo da idosa quase centenária é Sebastião Ribeiro de Almeida, de 45 anos. Ele é filho de Manoelina Ribeiro de Almeida, 75 anos, prima em primeiro grau de dona Maria. Sebastião Almeida explica que tem o Arruda, mas não assina o nome. “Tentamos levá-la para o asilo e ela não deixou”, conta e confessa ter tido ultimamente pouco contato com a prima de segundo grau. Ele diz que dona Maria tem uma irmã na cidade por parte de pai. O primeiro nome dela é Aparecida.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Ser humano de verdade: Gasparina de Jesus Rodrigues Reis

Romaria Missionária sai do Setor Centro e está no Setor Leste Arquidiocesano

Se as imagens de Capitão Enéas e do Trem do Sertão pintadas artisticamente na parede lateral do Ginásio Poliesportivo Enéas Mineiro de Souza Neto falassem, certamente elas relatariam a festa com que foram acolhidos os cerca de 150 fiéis da Paróquia São João Batista de Montes Claros que entregaram os símbolos da Romaria Missionária animadora do Centenário desta Igreja particular na noite de sexta-feira, 30 de abril de 2010, a 200 fiéis, aproximadamente, da Paróquia São Sebastião de Capitão Enéas, na passagem da Romaria Missionária do Setor Centro Arquidiocesano para o Setor Leste. Desde as 17h e 30min dessa sexta-feira, moradores já aguardavam a chegada da imagem de Nossa Senhora Aparecida, do Tríptico e do Estandarte do Centenário da Arquidiocese na entrada deste município.

A expectativa de Luzia Pereira Reis, 65 anos, agente da Pastoral da Caridade, era a de que esta Romaria trouxesse bênçãos reanimadoras para as comunidades da região. “Espero muitas graças, que já começaram a partir da chuva que veio”, afirmou a também ministra extraordinária da Sagrada Comunhão Eucarística, que costuma visitar enfermos. “Sou muito devota de Nossa Senhora Aparecida. Espero que ela e esta Romaria tragam muitas bênçãos a esta cidade”, desejou a funcionária da Escola Estadual Edith Silveira. O reforço à solicitação de Luzia Reis veio do carpinteiro Avelino Pinheiro Lima, 65 anos. “Que seja uma coisa boa”, referiu-se à Romaria e contou os trabalhos que faz para a Paróquia. “Ajudo às vezes na arrumação dos bancos da igreja”. 

Já a cabeleireira Gasparina de Jesus Rodrigues Reis, 42 anos, que colabora com o conselho administrativo da igreja, foi na direção dos pensamentos dos seus vizinhos de cidade e Paróquia. “Muita paz, muitas coisas boas. A gente só espera o melhor. Que reine mais a paz”, pontuou ao salientar que “hoje tem mais assaltos, brigas e violência que antes”. É “por causa dessa onda de muitas drogas, e a violência só vai aumentando”, considerou.

Acolhida calorosa

Logo na entrada de Capitão Enéas, perto dos trilhos da antiga Estação Ferroviária Central do Brasil, os três ônibus que traziam os missionários da Paróquia São João Batista - dois saíram da igreja matriz no Alto São João e outro da Comunidade São Vicente de Paulo, Bairro Vera Cruz -, com os símbolos da Romaria pararam para que a Paróquia São Sebastião pudesse acolhê-los com muito foguetório e bastante simpatia. Eles então iniciaram procissão a toques de violão e cantando o Hino do Centenário e outras músicas religiosas populares pelos seis quarteirões do município norte-mineiro, ou 600 metros, até a igreja matriz paroquial.

Lá o pároco local, padre Jairo da Silva Queiroz, conduziu uma curta celebração. “Estamos aqui hoje para celebrar e começar a Romaria Missionária” nesta Paróquia que completará 10 anos de criação em agosto. “Viva a Arquidiocese! Viva a Paróquia São João Batista! Viva Nosso Senhor Jesus Cristo”, animou o sacerdote diocesano as pessoas presentes na igreja e convidou missionários da Coordenação Arquidiocesana de Pastoral (Coarpa) a explicar o sentido desta peregrinação que começou na Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Catedral) em 13 de dezembro de 2009. “É uma alegria a gente está aqui para passar este momento histórico”, declarou a missionária Maria Walkíria Faria ao destacar a comemoração dos 100 anos desta Igreja particular e esclarecer que o Tríptico ou Capelinha Missionária foi um presente do papa e representa a igreja continental.

“Memoráveis são as suas maravilhas”, enfatizou o Salmo 110, 10, mote desta celebração do Centenário. “As maravilhas do Senhor devem ser celebradas”, acrescentou. “Estou impressionada com a acolhida da Paróquia São Sebastião de Capitão Enéas”, confessou ao falar que ela também pertence a uma paróquia que também tem como padroeiro este santo, só que com sede em MOC. Isto aqui “é o Povo de Deus continuando a caminhada desde lá no deserto” narrado na Bíblia, indicou Maria Walkíria Faria que foi depois completada pelo padre Jairo.

Aproximar-se um do outro

“A caminhada missionária se faz assim: cada um saindo de seus projetos, de sua individualidade e indo ao encontro do outro”. “Por isso é preciso conversão pessoal”, orientou o pároco. “O nosso mundo não é melhor talvez porque ainda não assumimos o nosso batismo”, opinou e penitenciou-se. “Perdão, Senhor, pelas tantas vezes que não lutamos por justiça e por um mundo melhor”. “Já observaram como as nossas paróquias e pastorais passam por momentos difíceis porque teimamos em não sair do nosso individualismo”, atentou e endossou a necessidade de mais comunhão entre todos os fiéis.

“Soubesse o nosso povo, né, padre Geraldo [Pedro da Silva "Peçanha", pároco da Paróquia São João Batista de MOC presente nesta cerimônia da Romaria Missionária], o que desejamos ao anunciar este Evangelho”, em pleno tempo pascal, comentou. “Eu costumo dizer que a Ressurreição de Cristo não tem sentido se não for vivida por nós em nossa vida cotidiana”, testemunhou e criticou as pessoas que são escravas da matéria e do dinheiro, como alertou a Campanha da Fraternidade durante o período da Quaresma. “O Centenário não termina no dia 10” de dezembro. É preciso fazer que os “72 indicados no Evangelho se multipliquem”, projetou padre Jairo.

“É tempo de revisão de vida, é tempo de reflexão”, propôs. “O que não está bom precisa ser melhorado nas pastorais e movimentos porque bispos e padres não caminham sozinhos”, ressaltou. “É preciso que os fiéis leigos assumam também esta caminhada”, incentivou. “Há 100 anos, somos Diocese. Há 10 anos, fomos elevados à condição de Arquidiocese. Há 10 anos, Paróquia São Sebastião de Capitão Enéas. Há 43 anos, Paróquia São João Batista de Montes Claros. Sem o compromentimento do fiel leigo na Igreja, nós, padres e diáconos, não conseguimos nada”, argumentou.

Agradecimento

“Queremos agradecer pela intensa ação evangelizadora e proteção rumo à 2ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral”, continuou o pároco anfitrião a sua mensagem. “Olhai os nossos jovens desorientados, mergulhados no mundo das drogas, os nossos empregos, as nossas famílias”, rezou ao informar sobre a missa dos trabalhadores que aconteceria no primeiro de maio, às 7h e 30min, na igreja matriz paroquial. Ele motivou a população a trazer para esta celebração símbolos representativos do serviço humano, como uma carteira de trabalho, uma enxada ou um giz.

Lembrando que os símbolos da Romaria passariam pelas outras quatro comunidades da Paróquia - Santo Antônio, Sapé, Caçarema e Sant’Ana -, padre Jairo da Silva Queiroz convidou o pároco da Paróquia São João Batista de Montes Claros, padre Geraldo Pedro da Silva, para tecer alguns comentários sobre esta ideia de animar os 100 anos da Arquidiocese. “Para nós, foi uma grande alegria. Recebemos a Capela Missionária na sexta-feira passada [23 de abril]. Tivemos a graça de ser a última Paróquia do Setor Centro” a fazer esta recepção dos símbolos nas seis comunidades da Paróquia. “Recebemos de uma Paróquia São Sebastião e entregamos a uma outra São Sebastião”, destacou e sublinhou o sentido de pertença reforçado por esta Romaria. “Nós pertencemos à Arquidiocese, a uma comunidade, à Igreja católica. Esse sentimento de pertencimento é muito importante”, expressou-se padre Geraldo.

Padre Jairo ainda fez mais explanações sobre este momento de extremo valor. “Símbolos não são Deus. Eles querem nos lembrar a importância de estarmos unidos a Deus. Fazer esta experiência de Romaria Missionária é relacionar-se com Deus”, com o próximo, apontou padre Jairo que, no último dia 07, repassou o Tríptico, a imagem de Nossa Senhora Aparecida e o Estandarte do Centenário à Paróquia São Gonçalo de Francisco Sá que, na próxima sexta-feira (14), fará a entrega destes símbolos da Romaria Missionária à Quase-Paróquia São Francisco de Assis de Botumirim. 

Ser humano de verdade: Antônio Moreira Ruas

Reunião da Assembleia Popular de Montes Claros em 06 de maio de 2010

Aconteceu às 19h desta quinta-feira, 06 de maio de 2010, Reunião da Assembleia Popular de Montes Claros (AP MOC) no Secretariado Arquidiocesano de Pastoral - Rua Januária, 371, centro da cidade. Assistente social e moradora do Bairro Nossa Senhora de Fátima, Sônia Gomes de Oliveira, e a dona de casa, mobilizadora de movimentos sociais e moradora da Vila Greice, Maria Isméria Pinheiro Ezequiel, em virtude do horário da reunião ter sido mudado das 18h para as 19h para flexibilização e facilitação da participação de estudantes de escolas, faculdades e universidades na AP MOC, não puderam participar deste encontro.

Porém, elas deixaram bem claro a necessidade de uma manifestação pública urgente para melhorar a questão da saúde neste município, que está em situação extremamente delicada ocasionada pelos “atrasos” nos repasses de verbas da Prefeitura Municipal aos hospitais Aroldo Tourinho, Santa Casa, Dílson Godinho de Quadros e Prontomente. Aparentemente, apenas o Hospital Alpheu Gonçalves de Quadros parece desenvolver o seu trabalho tranquilamente e sem maiores atropelos. A volta do vale-transporte a R$ 1,90, depois do Ministério Público conseguir provar seriamente ilegalidades escabrosas no transporte público municipal e forçar a queda do preço para R$ 1,55, medida obedecida pelas empresas durante uma semana, também foi salientada antes da reunião começar.

Neste encontro participaram o militante Bruno Rodrigo Silva Diogo, Mateus Alves Bento, da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (Feab), os moradores do Bairro Jardim Eldorado, a mobilizadora popular Maria Helena Mendes (Lena) e Antônio Moreira Ruas (seu Toni), e Olívia Dias Leal, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). O amigo da AP e militante Bruno Diogo conduziu a reunião e relatou o que aconteceu de mais importante no Encontro da Assembleia Popular de Minas Gerais, que aconteceu de 23 a 25 de abril de 2010, em Belo Horizonte, e contou com a presença do Bruno e da Olívia Leal, representando a cidade de MOC.

Mobilização

No total, participaram 150 lideranças de todo o estado. Do Norte de Minas, Bruno destacou as presenças de líderes de Buritizeiro e Manga, representando Cáritas e Comissão Pastoral da Terra (CPT). Ele lembrou que a 1ª Assembleia Popular Nacional reuniu oito mil pessoas. A 2ª Assembleia Popular Nacional acontecerá em Brasília, Distrito Federal, de 25 a 28 de maio de 2010 e pretende coroar as comemorações pelo Cinquentário da Capital Federal mobilizando cerca de duas mil e 500 pessoas para enriquecer o tema do encontro - “Na Construção Do Brasil Que Queremos”.

Bruno Diogo ressaltou que, no Encontro Estadual da AP de abril, foi discutido no primeiro dia de socialização dos debates o Plebiscito Popular “Por um limite da propriedade de terra”, gesto concreto da Campanha da Fraternidade de 2010 e que será organizado pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo de 1º a 07 de setembro de 2010 em todo o país com o apoio do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de outras entidades brasileiras. Discutir a questão da terra no Brasil envolve a análise da soberania territorial, alimentar e nacional.

Dados

Em todo o país, 42 mil proprietários de terras seriam “afetados” em seu “berço esplêndido”, caso o resultado do plebiscito atingisse níveis populares como o da Lei 9.840/1999 e da Campanha Ficha Limpa, promovidas pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). Ou seja, fazendeiros que têm mais de 35 módulos fiscais são o alvo deste plebiscito. Baseada em uma cultura de subsistência não-capitalista, para uma família do meio rural sobreviver, ou do meio urbano, um módulo fiscal de terra seria necessário. O módulo fiscal varia de estado para estado. Possivelmente, tem esse nome difícil, social-democrata e tucano-petista para que as pessoas mais simples ou até aquelas que passaram por uma escola formal não compreendam a situação.

Trocando em miúdos e, segundo explicação do estudante do último período de Agronomia do Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais (ICA-UFMG), Mateus Alves Bento, um módulo fiscal equivale a 40 hectares de terra. Um hectare é 100 metros por 100 metros, como cada quarteirão de Capitão Enéas, a cidade das avenidas, antiga Burarama, um dos quatro municípios melhores planejados do Brasil, de acordo com informação do estudante da primeira turma (2009-2011) da Escola de Formação de Fé e Política da Arquidiocese de Montes Claros, Miguel Jair Brandão. Só quem tem mais de mil e 500 hectares de terra seriam “afetados” pelo plebiscito.

O Censo Agropecuário de 2006, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou que “46 mil e 911 propriedades têm mais de mil hectares e ocupam uma área de 146 milhões, 553 mil e 218 hectares. Quatro milhões, 448 mil e 648 estabelecimentos com menos de 100 hectares ocupam 70 milhões, 691 mil e 698 hectares. Isso quer dizer que 84,4% dos estabelecimentos da agricultura familiar ocupam 24,3% das terras, enquanto que 15,6%  dos estabelecimentos dos grandes proprietários ocupam 75,7% das terras. O agronegócio fala de boca cheia que cria empregos. O Censo Agropecuário diz: 74,4% do pessoal ocupado no campo vive nas pequenas propriedades, são 12 milhões e 300 mil pessoas. Só 15,6% é empregado nas grandes propriedades, quatro milhões e 200 mil pessoas. Na agricultura camponesa, em cada 100 hectares trabalham 15 pessoas. No agronegócio, cada 100 hectares empregam apenas duas pessoas”, explica o texto do material de divulgação do plebiscito.             

Outros informes

O amigo e militante da AP Bruno Diogo ainda informou que no dia 22 de maio haverá a primeira reunião do Comitê do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade. Ele acrescentou mais um desafio: como fazer para as Assembleias Populares (APs) atuar mais localmente? Depois disso, nesta reunião da AP MOC, seu Toni demonstrou preocupação com a despolitização da juventude, talvez provocada pela privatização da vida social. Como atrair os jovens para a valorização do trabalho e da importância de participar da luta, de movimentos sociais, de sindicatos independentes? Falta organização e estrutura à sociedade brasileira.

Quando à viagem à Brasília (DF) para a 2ª Assembleia Popular Nacional, Bruno Diogo esclareceu que as regiões do Vale do Jequitinhonha, do Vale do Mucuri e do Norte de Minas estão se organizando para garantir um ônibus lotado com lideranças regionais neste encontro de 25 a 28 de maio de 2010. Ônibus da Universidade do Vale está saindo a R$ 800. A AP MOC ficou encarregada de ajudar com R$ 300 e 20 vagas disponibilizadas para os militantes interessados nesta viagem. Um ônibus no mercado “normal” sairia a R$ 4 mil. Bruno também apontou para a necessidade de um outro planejamento, caso ocorra problemas de praxe com o ônibus da universidade, como alugar uma VAN.

Ele alertou que, com o ônibus da universidade, os custos à capital federal ficaria a R$ 10 para ajudar na alimentação e alojamento. Para as pessoas que se sentirem interessadas em participar deste segundo encontro da Assembleia Popular Nacional, é preciso ter sentimento de pertencimento a movimentos sociais e consciência construtiva de um mutirão por um Brasil para todos, mas sem jogada de marketing. A AP MOC solicita que os interessados em ajudar e participar desta viagem entrem logo em contato.

Mais avisos

Os moradores do Jardim Eldorado avisam ainda que no próximo sábado, às 15h, haverá reunião da Associação de Moradores na casa de seu Juvenil, na Rua Valdir Gomes Costa. Nesta reunião da AP MOC, foi criticada ainda a lentidão da justiça brasileira, sobretudo para julgar casos dos mais empobrecidos. “Pro povão, é tudo mais difícil. Já não está parecendo mais justiça; é injustiça”, comentou seu Toni que convidou todos para a Festa de São José Operário do Bairro Jardim Eldorado que acontecerá no próximo final de semana. A burocracia e uma legislação no mínimo estranha para cadastrar associações de moradores sérias em programas governamentais também foi enfatizada na reunião. 

Como o tema do mês da AP MOC é a saúde, Mateus Alves Bento contou que só, no último mês, ficou sabendo de três pessoas que faleceram por negligência médica na Santa Casa. O trabalhador rural seu Geraldo, da Comunidade de Abóboras, faleceu depois de sofrer um acidente (queda de cavalo). Veio, acompanhado, tratar do ferimento, pois não aguentava de tanta dor. O médico, provavelmente um residente [o estagiário da Medicina; mas sem generalização; há residentes comprometidos, assim como há médicos compromissados com a profissão], examinou-o rapidamente, receitou um “buscopan” e mandou seu Geraldo de volta para casa.

Não tirou nem raio-x, que seria o procedimento de praxe, pelo menos. Como as dores continuavam, seu Geraldo voltou à Santa Casa. Foi medicado e forçado a tomar mais “buscopan”. Resultado: depois de uns dias, veio a falecer. Como no Brasil só depois da morte que as pessoas ficam pacientes e podem ser medicadas adequadamente, aí sim seu Geraldo foi examinado. Para falar a verdade, apenas o corpo de seu Geraldo. Diagnóstico póstumo: ao cair do cavalo, seu Geraldo quebrou uma costela. Como não houve um atendimento adequado no posto de saúde e no hospital, seu Geraldo teve hemorragia interna e morreu. Esse é apenas um caso entre vários que ocorrem nos hospitais brasileiros. Apesar disso, a paciência do brasileiro continua como a de seu Geraldo depois de morto.

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Ser humano de verdade: Francisca das Dores Rodrigues Barbosa

Protesto no Grande Maracanã termina com Hino Nacional

Acabou agora a pouco, por volta das 20h, manifestação na Praça Beato Francisco Coll, Bairro Maracanã, MOC, em frente à igreja matriz da Paróquia Nossa Senhora de Montes Claros e Beato José de Anchieta. Provenientes da Vila Greice, Santo Inácio, São Judas Tadeu, dentre outros bairros da cidade, os cerca de 80 manifestantes começaram a chegar a partir das 16h e 30min.

Com faixas que reivindicavam melhor transporte público coletivo urbano para os contribuintes deste município, moradores do Maracanã, estudantes e agentes de pastorais e movimentos sociais desejavam apenas “transporte coletivo de qualidade e tarifa justa”. ”Merecemos respeito”, assinava a Paróquia Nossa Senhora de Montes Claros e Beato José de Anchieta.

Em um dado momento da manifestação, três linhas de ônibus foram paradas. As duas primeiras foram liberadas para seguir o seu percurso diário. Mas, como ensina o ditado popular, um é pouco, dois é bom e três é demais. A terceira linha que passou, e que serve o Grande Maracanã, foi bloqueada pelos mobilizadores populares por volta das 18h e 30min.

Cantos de liberdade, de fé e de vida eram entoados pelos manifestantes a todo instante contra, sobretudo, o projeto “Integração Temporal no Transporte Coletivo Urbano”, implantado recentemente na cidade. Um palanque do trabalhador e da trabalhadora foi improvisado debaixo do ponto de ônibus. Ali os participantes confrontavam o aumento abusivo do vale-transporte que, desde o dia 13 de abril de 2009, está em R$ 1,90. Antes a lotação em MOC era R$ 1,55.

O Ministério Público de Minas Gerais já provou que este aumento na tarifa descumpre a legislação específica sobre o tema. E há indícios de que a atual administração municipal subirá este ano o preço da passagem da lotação para R$ 2,40. Este protesto na Praça do Maracanã transcorria sem maiores atropelos e terminou sem dificuldades. A linha de ônibus foi liberada mais ou menos às 20h.

Pena que a Polícia Militar sempre tem que fazer o papel dela de protetora do Estado Burguês e cumpridora de uma ordem pré-estabelecida. Aos poucos, durante o protesto, policiais militares iam também ocupando o cenário da manifestação com seus carros oficiais de sirenes vermelhas acesas para uma possível intimidação e possível dispersão dos populares. Bem no final desta ação sociável, pois atraía a curiosidade de outras pessoas da região, de repente chega a Tropa de Choque da Polícia Militar do Governo do Estado de Minas Gerais.

O automóvel das Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) fortalece os guardas com escudos e outras armas. Os manifestantes já haviam encerrado o ato e guardavam os equipamentos de som que foram levados para o local. Para demonstrar autoridade, os policiais militares se enfileiram de modo a tomar conta da rua e iniciaram uma espécie de desfile. O jeito foi as pessoas, que ainda se encontravam na praça, cantar o Hino Nacional Brasileiro para os militares, em uma cena bem mais bonita do que qualquer Desfile da Independência. Não se sabe se essa é uma prática simbólica ou costume cultural dos militares se perfilarem e marcharem para a população. A sensação que ficou é que militares estão a serviço de um determinado patrão: o Estado Burguês. E este está cada dia mais divorciado, se algum dia houve casamento, dos trabalhadores e das trabalhadoras desta nação. 

Esta fase confusa que o país atravessa exige muita sabedoria para autoridades e movimentos sociais. Mas, desta vez, os movimentos sociais venceram. Terminar uma manifestação cantando, em coro, o Hino Nacional e, em plena praça pública, foi uma maneira irônica de dizer que a credibilidade das autoridades anda baixa, e muito baixa.

Neste protesto do Bairro Maracanã, nenhuma emissora de rádio ou de televisão pôde comparecer. Talvez porque possuam poucas equipes de reportagem para cobrirem a infinidade de ações contra a atual administração municipal que começam a surgir timidamente pela cidade. Era a terceira administração de Luiz Tadeu Leite (2009-2012).

Refletir a realidade social é preciso. E se a população estiver com qualidade de vida digna, a análise fica mais fácil. E literalmente sob as bênçãos de Nossa Senhora de Montes Claros e Beato José de Anchieta, mais este protesto, incentivado pela Assembleia Popular de MOC, pôs fim a mais um capítulo da história, não muito cheia de flores, deste município norte-mineiro.     

Duas faixas foram o carro-chefe do protesto apoiado pela Assembleia Popular de Montes Claros (AP MOC) no começo da noite de quarta-feira, 10 de março de 2010, na Praça Beato Francisco Coll, Bairro Maracanã. “Estamos em estado de emergência! Vamos dá um basta neste prefeito. Ele não sabe governar!”, indignavam-se líderes comunitários. Na outra, a Paróquia Nossa Senhora de Montes Claros e Beato José de Anchieta reivindicava. “Queremos transporte coletivo de qualidade e tarifa justa! Merecemos respeito!”.

Aproximadamente 80 pessoas participaram desta manifestação que parou duas linhas de ônibus por alguns minutos, mas foi na terceira que o protesto ganhou mais repercussão e observação de perto de policiais militares. Moradora do Cyro dos Anjos, Maria Pereira Dutra, 57 anos, aposentada, chegou por volta das 17h na praça principal do Grande Maracanã e lá permaneceu para esta ação de trabalhadores em frente à igreja matriz paroquial. Ela reclamou que, com o projeto “Integração Temporal no Transporte Coletivo Urbano”, as antigas lotações de número “72” e “92” que serviam o seu bairro foram reunidas na atual linha “6605”. “Minha filha tinha que chegar na faculdade às 7h e chega meia hora atrasada”, contou Maria. “Lotação tá saindo de duas em duas”. “Até o centro, tá demorando uma hora”, criticou.

A moradora do Cyro dos Anjos reforçou a necessidade da população de se manifestar por melhores condições de vida digna. Ela trabalhou de enfermeira no Hospital São Lucas. Saia do serviço cansada e, se tivesse um protesto, não media esforços para estar presente. Fez questão de lembrar que estava na solenidade de lançamento do Projeto “O que você tem a ver com a corrupção?”, acontecida na quarta-feira (03) na 16ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Bairro Ibituruna, em MOC.

De bicicleta, uma moradora do Bairro João Judas, que não quis se identificar, acompanhava o início das reivindicações. Para ela, toda as conquistas que MOC conseguiu em anos de muitas reclamações foram por água baixo com o “Integração Temporal no Transporte Coletivo Urbano”. “O prefeito trocou seis por meia dúzia”, indicou e revelou que, para ela se deslocar ao Bairro Independência e visitar a irmã, precisa entrar em quatro ônibus e desembolsar R$ 8. “Antes, gastava R$ 4 pegando as antigas linhas 42, 52, 142, 172 e 192”, sublinhou.

Liderança da Comunidade Santo Antônio e São Francisco Xavier, Francisca das Dores Rodrigues Barbosa (Dorinha), que também coordena o trabalho com adolescentes “Atuando com o Menor”, resumiu, na abertura do ato, o motivo de reunir as pessoas do Grande Maracanã neste meio de semana. Segundo Dorinha, é explícito que as empresas concessionárias do transporte público da cidade diminuíram as linhas de ônibus com este novo projeto. “Antes eram nove linhas. Hoje são quatro. Sem contar o preço abusivo da passagem”, pontuou. Para ela, o pessoal veio aqui para “lutar pelos nossos direitos, contra aquilo que nos atrapalha, nos desrespeita”, enquanto seres humanos trabalhadores, apontou.

domingo, 28 de junho de 2020

Ser humano de verdade: Sidney do Carmo

Um Vírus contamina o Mundanus do 20º Psiu Poético

O Salão Nacional de Poesia, o Psiu Poético, nasceu montes-clarense em 1986. E um ano depois, nascia em Belo Horizonte, capital das Minas Gerais, o grupo teatral Vírus Mundanus, “enquanto movimento de cultura do lado leste belo-horizontino”, segundo informa Sidney do Carmo, um dos integrantes do grupo, que conta ainda com Júlio Emílio da Silva Tentaterra, jornalista, e Vladimir Vieira, músico, e popularmente chamado de Jimmy Vieira. Eles se conheceram no Encontro Popular de Cultura do Lado Leste de BH. “Foi um desejo de nós, poetas, mostrarmos poesia de uma maneira diferente. Não tínhamos desejo assim explícito de ser teatro, tão pouco recital de poesia. Então o caminho era o da performance. E sempre com poesias nossas e poesias de poetas contemporâneos”, explica Sidney a intenção de criar o Vírus Mundanus, que retomou as apresentações teatrais este ano.

Na sexta-feira, 06 de outubro, terceiro dia do Psiu Poético, no auditório Cândido Canela, foi a segunda apresentação de 2006 do Vírus Mundanus. “E num evento como o Salão Nacional de Poesia é super importante” para a gente voltar com as apresentações, como é importante também “para as pessoas que estão conhecendo o Vírus agora”. “É este Vírus, o vírus poético, o da poesia”, expõe Sidney.

Em 19 anos de existência, “o grupo já passou por diversos vocais com performances e espetáculos, buscando sempre partes especiais também. Por isso que o Vírus teve algumas outras formações, participações especiais de bailarinos” e de outras pessoas, lembra Sidney a trajetória inicial e as diversas mutações do Vírus Mundanus, mas sem rótulos. “Desde nossa formação, atuamos de forma que não fosse rotulada, que se buscasse uma linguagem”, pontua e prossegue indagando e esclarecendo. Afinal, “o que é o vírus?”. Ele “está em todo local?”. “A poesia está em todo local. Nossa chamada é essa. O que norteia nosso trabalho é porque o Vírus tem o processo de retroalimentação, que seriam os hantavírus”, compara.

Morro é Vida

Morro é Vida
Bairro Operário-Cultural Morrinho, MOC-MG, quarta-feira, 27 de julho de 2016 (imagem registrada de um aparelho de celular Android Motorola)

Imagem do Morro Dois Irmãos

Imagem do Morro Dois Irmãos
Montes Claros, Norte Sertanejo de Minas Gerais, 11 de janeiro de 2009, às 16h e 27min (imagem registrada de uma máquina digital Samsung Digimax 4.0 Mega Pixels, Digimax 4500 Super)