sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Democracia ou socialismo?


A eleição do capitão Jair Bolsonaro, que mesmo antes de tomar posse já deixa claro seu projeto de instalar um regime fascista ou uma ditadura militar no país, coloca mais uma vez em pauta o tema democracia x ditadura(s). Isto, do ponto de vista objetivo, já que subjetivamente a questão não está na agenda política do país. Pela direita, ou seja, para a burguesia e seus aliados na pequena burguesia, trata-se de um tema sem significação própria, já que o que importa mesmo é a geração de mais e mais grandes lucros para os primeiros e mais e mais migalhas para os segundos, independente do regime desde que garantida a propriedade privada dos meios de produção - fábricas, fazendas, bancos, grande comércio, serviços.
Para a esquerda, sim, se trata de uma questão decisiva. Desgraçadamente, contudo, a maioria, a grande maioria da esquerda, desde há muito perdeu o hábito do pensar crítico, e já se joga de corpo e alma no lamaçal da democracia como linha estratégica de enfrentamento ao governo Bolsonaro. O Movimento Marxista Cinco de Maio (MM5), ainda um corpo minoritário no campo da esquerda brasileira, vem na contramão desta jornada em direção a este apodrecido pântano burguês chamado democracia e convoca aqui a militância de esquerda do país a um debate sério sobre a questão: democracia ou socialismo?
Evidentemente não temos esperanças de podermos sensibilizar uma maioria significativa desta esquerda. Materialistas que somos, bem sabemos que a ideologia democrática é tomada pelos segmentos majoritários da esquerda como fenômeno natural - algo como o dia e a noite, a chuva e o sol. A ideologia, inclusive e principalmente a ideologia política das classes dominantes, penetrou tão profundamente por seus poros, que se alguém ousar a se dizer antidemocrata corre risco sério de, no mínimo, ser escorraçado do ambiente. E excomungado para todo o sempre. Tal reificação da democracia como a mais perfeita e sublime forma da organização do estado, independentemente da classe no poder, constitui seguramente a maior vitória da burguesia no terreno ideológico desde que o capitalismo é capitalismo.
Uma naturalização que penetrou igualmente fundo na classe trabalhadora. O conhecido cientista político brasileiro Carlos Nelson Coutinho, já falecido, subiu ao cume do Pico da Bandeira em 1979 e de lá bradou aos quatro cantos do mundo: “A democracia é um valor universal!” E os quatro cantos do mundo ouviram e se curvaram. Carlos Nelson, no entanto, antes de morrer fez autocrítica explícita daquele seu canto de guerra, o que de nada adiantou: os quatro cantos do mundo permaneceram e permanecem curvados à democracia. O Brasil junto, ajoelhado.
As primeiras teorizações mais sistemáticas em todo este processo permanente de erguimento da democracia ao altar da perfeição ocorreram na Europa da primeira metade do século XX, principalmente na Alemanha através do trabalho de Eduard Bernstein e Karl Kautsky. Empiricamente, enquanto prática política e de trabalhos sem pretensão científica, desde o século anterior a ‘solução democrática’ já vinha sendo tomada como caminho natural da humanidade pelos movimentos socialistas nascentes. O alvo central, preferencial explícitos dos tiros disparados por Bernstein e Kautsky no debulhar de seus rosários democráticos se encontrava - e se encontra - todo o trabalho político-científico de Karl Heinrich Marx. Através de um longo e profundo trabalho de pesquisa da lógica do nascimento e existência cotidiana do capitalismo, assim como das leis que regem a transformações das sociedades, Marx demonstrou de forma rigorosa e cientificamente incontestável e incontestada que a democracia é uma forma própria de organização da sociedade capitalista, da sociedade burguesa.
E atenção: Marx demonstrou, também de forma rigorosamente científica, que a democracia não é - repetimos: não é - o caminho para o socialismo. Marx demonstrou que o caminho para o socialismo é a revolução proletária, a conquista do poder direto pelos trabalhadores diretos.
Para além, contudo, do rigor científico do marxismo, está aí o testemunho vivo da história para quem quiser ver: todas as previsões de Marx a partir de sua teoria foram confirmadas pelos fatos históricos, tanto no campo econômico quanto na área política, inclusive quanto à imprestabilidade de a democracia servir de caminho para o socialismo em presença de fascismos e de ditaduras burguesas.
Em Marx, o caminho para o socialismo é o socialismo. A revolução socialista. E para fazer a revolução socialista devem-se acumular forças socialistas, não forças democráticas. Forças democráticas sempre resultam em estados e governos burgueses. Consultem as obras de Marx - fica o desafio a reformistas e democratas. E por mais que a história desminta o “valor” da democracia, sempre brotam e hão de brotar da pequena burguesia os intelectuais que insistem em desafiá-la, contestá-la. Alguns mais toscos e primários, outros mais sofisticados, como o italiano Antonio Gramsci, mas todos obrando louvores à democracia como meio e fim.
Então, e por tudo isso, os marxistas não podemos propor outra linha estratégica frente ao governo Bolsonaro que não a linha estratégica socialista, não democrática. Falamos em linha estratégica exatamente porque não dispomos os marxistas de um exército que nos capacitasse a colocar em prática a única estratégia de fato revolucionária: uma insurreição proletária de tomada do poder. Falando mais claramente: nem nós, a vanguarda marxista existente no país, nem o próprio proletariado, temos força política para um assalto concreto ao poder burguês.
Esse tipo de voluntarismo custou à esquerda mais que preciosas vidas de valorosos revolucionários no período da ditadura 1964-1985. A linha estratégica, portanto, é a de acumular forças, mas não forças democráticas, claro. Falamos do acúmulo de forças proletárias necessariamente a ser obtido a partir de lutas e confrontos próprios do proletariado em defesa de reivindicações próprias, direitos próprios e formas de luta próprias.
Nada de empenharmos esforços em propostas de defesa do famigerado ‘estado democrático de direito’. Nada de reivindicar ‘liberdades democráticas’. O que se trata é de acumular forças proletárias. Nada temos a perder. O proletariado conta com um decisivo e imbatível aliado histórico: a própria lógica de existência e reprodutibilidade do capitalismo, que conduz o sistema de tempos em tempos a profundas críticas que afetam sua capacidade de produzir lucros e, consequentemente, sua capacidade de garantir sua dominação política e ideológica.
Não uma “crise final”, como deliram os trotskistas, mas crises cíclicas. E é no ponto agudo de uma dessas crises inescapáveis do capitalismo que emerge o tempo da revolução proletária, da insurreição, da tomada do poder pelo proletariado. O que só será possível de existirem forças proletárias - não democráticas, portanto - já acumuladas ou acumuladas no próprio processo de aguçamento da crise.
Ou será que estamos errados? Recorramos à história. Durante a ditadura militar, a esquerda, em sua grande maioria, vestiu a bandeira da “luta contra a ditadura” na linha estratégica da busca da democracia. Resultado: veio a democracia, veio Sarney, veio Collor, Fernando Henrique, veio um PT já degenerado, veio Temer. E chega Jair Messias Bolsonaro pilotando um caminhão de 50 milhões de votos na iluminada estrada de democracia. Sim, Bolsonaro foi eleito pela democracia e suas instituições, inclusive uma mais que degenerada mídia livre. Um legítimo filho da democracia. Só para não esquecer: Mussolini e Hitler foram também legítima e democraticamente eleitos.
Será que desta vez a esquerda vai aprender? É de se duvidar. No máximo, algumas de suas organizações vão escolher o velho caminho da dubiedade através de propostas do tipo “democracia operária”, “democracia popular”, “verdadeira democracia” e mesmo a mais recente gambiarra “poder popular”. Atenção, pois.
Venceremos!
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
            Movimento Marxista Cinco de Maio (MM5)

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Biblioteca do Autor Montes-Clarense realiza primeiro café literário; Luiz Fernando Sarmento será o sabatinado

Autora dos livros "Onde estão os teus filhos?" (2016), "A Viagem da Letra X" (2009), militante da Academia Feminina de Letras de Montes Claros (AFL-MOC) e participante do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, a escritora Terezinha Campos contou histórias para crianças na tarde do último sábado (10/11), na Biblioteca do Autor Montes Clarense "Maria das Mercês Paixão Guedes". 


Inaugurada em 14 de agosto de 2018, a Biblioteca tem sede à Rua Padre Augusto, 183, quarto andar, Centro de Montes Claros, Norte de Minas Gerais. É uma inciativa da AFL-MOC e da Drogaria Minas-Brasil. Já conta com 900 títulos de autores e autoras regionais. Tem mais de mil e 500 livros e revistas. 


Ao lado da atual presidente da AFL-MOC, Felicidade Patrocínio, a escritora Terezinha Campos relacionou ludicamente a história de animais da floresta com o processo de bullying sofrido por estudantes na contemporaneidade. Porém, reforçou que os alunos não devem se submeter aos modismos pós-modernos e sim permanecer com sua identidade intacta. Resistir aos ditames da sociedade capitalista e valorizar a cultura recebida de familiares, parentes e amigos. 


Na próxima quarta-feira (14/11), às 17h e 30min, acontecerá na Biblioteca do Autor Montes-Clarense o primeiro café literário com o escritor Luiz Fernando Sarmento, natural de Salinas, mas que morou muitos anos em Montes Claros e que hoje reside no Rio de Janeiro. Ele explicará como ocorre o seu processo de criação. Além de escrever para o seu blog (www.luizsarmento.blogspot.com), Sarmento é colaborador do "Jornal de Notícias" e autor dos livros "Uma vida incomum como qualquer um" (2012) e "O que me toca fica" (2016). 

Outras informações pelo telefone 38 9 8806 8143 ou 38 9 9128 7503. Conversar com Felicidade Patrocínio, presidente da AFL-MOC.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Comportamento

POR João Melo

Almoço quase que a um ano em uma tasca aqui próximo de casa. O dono é o senhor Armando, um tuga rústico, sistemático e por vezes um bocado antipático, mas de bom coração. Hoje, enquanto aguardava meu prato, entra uma brasileira com uma t-shirt do bolso (eu sinceramente me pergunto qual a necessidade disso). Seu Armando, com toda a educação, começa: 

- Boas, e então é para almoçar? 

- É sim. 

- Mas e essa camisola? 

- É de quem vai salvar o Brasil. 

- Se vai salvar, eu não sei, mas sei que com ela, eu não te sirvo! 

A brasileira, assustada, pergunta o motivo (coitada) e o seu Armando, com toda a educação que só o dono de uma legítima tasca portuguesa tem, responde: 

- Não gosto dele, não gosto do que ele me faz lembrar e não gosto de quem o apoia! 

- Mas o senhor não pode fazer isso!, argumenta a brasileira revoltada. 

- Aqui, neste restaurante, mando eu. Se quiser vestir isso, faça lá na sua terra e tenha uma boa tarde.
Seu Armando volta para o balcão. A brasileira vai embora envergonhada e eu continuo a tomar meu vinho.

Obrigado, senhor Armando!
quinta-feira, 11 de outubro de 2018




quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Novembro é mês de ter consciência e MOC-MG sabe disso!!!

Ruy Barbosa pode ter queimado parte dos arquivos da escravidão, mas o Mês da Consciência Negra sempre é destaque em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. Dia 23/11/2018, sexta-feira, a partir das 13h, no Instituto Federal, tem Cinema Comentado com os filmes "A cor púrpura" e "A Outra História Americana". Vale a pena prestigiar toda a programação! Se ferem nossa existência, seremos resistência!!!



segunda-feira, 29 de outubro de 2018

42 milhões e 100 mil pessoas não votaram nas farsantes eleições burguesas de 2018

O número de brasileiros que decidiram não votar no segundo turno das eleições presidenciais deste ano bateu recorde desde o período de redemocratização do país, em 1989. Ao todo, 42 milhões e 100 mil eleitores, cerca de um terço do total de votantes -, não escolheram nem Jair Bolsonaro (PSL) nem Fernando Haddad (PT) para comandar o país pelos próximos quatro anos.

No domingo (29/10), 2 milhões e 400 mil brasileiros escolheram a opção branco e 8 milhões e 600 mil optaram pelo nulo. Eles representam 9,5% dos 147 milhões e 300 mil eleitores brasileiros. Por sua vez, outros 31 milhões de brasileiros deixaram de ir votar, ou seja, 21,3% do eleitorado. Em relação às eleições de 2014, houve uma alta de 22% na taxa de pessoas que não votaram. 

Na disputa de quatro anos atrás, foram registrados 1 milhão e 900 mil votos em branco, 5 milhões e 200 mil de nulos e 30 milhões e 100 mil de abstenções. O candidato vencedor, Jair Bolsonaro, foi escolhido por 57 milhões e 700 mil brasileiros. Seu adversário, Fernando Haddad (PT), foi opção de outros 47 milhões. Em números totais, o capitão reformado teve 36,4% dos votos e o ex-prefeito de São Paulo, 29,7%. 

Maior alta desde a redemocratização

Na primeira eleição direta após o fim da Ditadura Militar (1964-1985), brancos e nulos somaram 5,8% do eleitorado, equivalente a 4 milhões de pessoas. Naquele pleito, as abstenções somaram 14,4%, quase 12 milhões do eleitorado. Para Maurício Fronzaglia, professor de Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), o resultado expressa desconfiança e descrédito em relação à política e às mudanças que essa eleição poderia trazer.

“Em uma eleição muito polarizada, uma boa parte do eleitorado não se sentiu representado por nenhum dos lados. E não conseguiu escolher entre eles, nem mesmo entre o menos pior”, afirma. Segundo o especialista, isso pode representar até mesmo uma descrença no próprio processo eleitoral. “Até que ponto a democracia representativa ainda se encaixa no nosso tempo? Ela foi pensada e adequada para a maioria dos países nas últimas décadas, quando o mundo era diferente. Está faltando um update (atualização) nas regras de funcionamento da democracia representativa”, explica.

Fonte: MSN

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Votamos nulo porque a eleição é burguesa!!!

Se a provável eleição de Bolsonaro realmente se confirmar neste mês de outubro de 2018, o que ainda não está dado, é preciso dizer que ela não terá começado agora. Na verdade, as condições para isto já estavam dadas desde a saída do Brasil da ditadura militar instaurada com o golpe de 1964. Uma saída que optou pelo caminho institucional, reificando a democracia representativa e abrindo mão de qualquer veleidade, mínima que fosse, de transformação revolucionária. O Brasil, mesmo comparado a outros países da América Latina que também passaram por governos ditatoriais, não fez justiça contra os crimes que o Estado brasileiro cometeu.
O resultado foi que o Estado brasileiro, ao não promover um necessário ajuste de contas para punir os crimes da ditadura de direita instaurada após a derrubada de João Goulart, permitiu que uma ideologia reacionária, conservadora e com características protofascistas continuasse se reproduzindo dentro de quartéis, colégios militares e meios de comunicação.
O Brasil tem uma História diferente dos demais países da América Latina. Aqui, através da força e da violência estatal, manteve-se a coesão da União federal. Foram mais de três séculos de escravidão, sendo aqui o último país da América Latina a libertar seus escravos. A formação social brasileira foi cunhada assim. Aqueles que se rebelaram tiveram sua cabeça cortada e exposta em praça pública para que servisse de ‘exemplo’ aos outros escravos. 
As recentes igrejas neopentecostais financistas lotam-se de servos acatando as ordens de seus senhores do púlpito. Pastores se aproveitam não só do dinheiro e da miséria de homens e mulheres, a maioria de origem proletária, mas também do voto. Valem-se do sofrimento de pessoas que buscam as igrejas como alento ao seu sofrimento. Essas igrejas orientam seus fieis a votarem no ‘Messias’, o “ungido de Cristo”.
De outro lado temos uma ampla assim chamada classe média. Após as desestatizações iniciadas com Sarney e Collor, aprofundadas violentamente pelos governos de FHC e timidamente arrefecidas pelos governos petistas, a classe média brasileira, que já fora formada por funcionários públicos, se metamorfoseia em pequenos empresários, também chamados de ‘empreendedores’. E como tal já não são proletários, mas pequeno-burgueses. Individualismo, violência ideológica e física, hedonismo, profundo analfabetismo político são apenas algumas das características desta parcela da sociedade brasileira. Os mesmos que lotaram as ruas ladrando contra qualquer pessoa ou objeto que remetesse (mesmo remotamente) à esquerda. Lotaram as urnas de votos ao seu ‘Mestre Mor’, crendo que ele garantirá melhores rendimentos aos seus negócios.
E onde a esquerda falhou? Ao abrir mão da revolução. Ao escolher a democracia, o parlamento, as salas refrigeradas das universidades. Lá discutem sobre as obras de Marx, Engels, Lenin, mas não aplicam na prática o que esses grandes revolucionários escreveram e fizeram ao longo de suas vidas. A esquerda brasileira, ao invés de se voltar para a classe trabalhadora como um todo, preferiu a academia, a saída parlamentar, as discussões, os intermináveis seminários, simpósios e viagens. Esquerda que ainda tem a desfaçatez de culpar a nós, comunistas, pela onda de extrema-direita que assola o país e que vem catapultando o candidato protofascista. Mas, ao contrário da esquerda reformista, nós sempre estivemos do lado da revolução. Não da democracia.
A História não tem piedade. As forças de extrema-direita sempre se aproveitaram da miséria vivida pelos trabalhadores para atingirem seus objetivos inconfessáveis. Assim como fizeram em 2013 ao aproveitarem-se das reivindicações legítimas de uma legião de insatisfeitos, quando então foi eleito o congresso mais reacionário desde a ditadura militar.
Já a esquerda optou pelo caminho fácil ao apostar em lutas imediatas e parciais. Lutas que, além de fragmentarem a classe trabalhadora, tornam o caminho revolucionário ainda mais distante. Essa esquerda não anseia a utopia, a sociedade futura qualitativamente melhor que a atual, a sociedade comunista de que falou Marx. É uma esquerda pequeno-burguesa e, como tal, só quer a melhoria de sua condição de vida no interior do capitalismo, numa espécie de ‘utopia’ reacionária e regressiva que acredita na possibilidade de burgueses e proletários viverem em harmonia. Tal ideologia (é bom lembrar) está na base da ideia de ‘governar para todos’ (burgueses e trabalhadores).
Na saída da ditadura, a esquerda abriu mão da revolução em favor da democracia, mas essa renúncia ocorrida há mais de 30 anos agora cobra seu preço.
É preciso saber que a burguesia não tem interesse na qualidade de vida de quem quer que seja. O seu interesse é a manutenção do crescimento de seus lucros e dividendos. Este é seu verdadeiro interesse. E ela lançará mão de qualquer um - seja Bolsonaro ou qualquer outro -, desde que seus interesses sejam efetivamente priorizados, não importando se determinado candidato tem (ou não) uma ideologia protofascista. Lembremos que os partidos de direita, mesmo os mais raivosos, nada mais representam que serviçais dos verdadeiros donos do poder estatal, os capitalistas. E serão descartados quando não mais servirem, assim como se viu na derrota do PSDB e no encolhimento das bancadas de DEM e MDB.
É necessário lembrar que a eleição de Bolsonaro, caso se confirme, não significará a instalação do fascismo no Brasil. O fascismo, conforme a História nos diz, só sobe ao poder caso haja uma ameaça real da tomada do Estado pela esquerda revolucionária, com o risco de uma revolução proletária. E no Brasil de hoje não existe tal ameaça. A esquerda brasileira não tem pretensões muito além dos cargos parlamentares, está absolutamente ausente dos sindicatos e das reivindicações revolucionárias do proletariado. Não tem qualquer objetivo revolucionário. Apenas quer dividir o poder com a burguesia. Portanto, na atual conjuntura, os capitalistas não têm nenhuma necessidade do fascismo.
Evidentemente que uma eventual eleição de Bolsonaro levará o trabalhador brasileiro a uma condição de vida ainda pior. Bolsonaro e toda a sua potencial equipe não deixam dúvidas quanto ao seu projeto liberal privatizante, de redução ainda maior do papel do estado no provimento de condições mínimas da população, como saúde e educação públicas. Ele está comprometido com um ainda maior relaxamento quanto ao controle da violência assassina das forças repressivas do Estado, o que vai significar ataques ainda mais intensos às manifestações de trabalhadores. Mas isso não representa uma sociedade fascista. Bolsonaro e o congresso de extrema-direita já eleito chegaram ao poder ‘democraticamente’, através do voto. Além do mais, a democracia, como forma de dominação burguesa, nunca excluiu o uso de brutal repressão contra manifestações proletárias.
E que caminho a esquerda trilhará daqui para frente? A esquerda se manterá limitada aos seus congressos internacionais, debates inócuos, ações de rua cujas reivindicações limitam-se a algumas frações do proletariado ou mesmo à pequena burguesia?
Os comunistas, não temos dúvidas quanto ao nosso papel. Não escolhemos entre democracia ou fascismo porque nossa opção é a revolução. Nossa tática está e sempre estará concretamente ligada à nossa estratégia maior: a sociedade comunista!
Venceremos!
Movimento Marxista 5 de Maio - Outubro de 2018

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Ser humano de verdade: Jéssica Rejane Pereira Vianna


Lembra do programa "Provocações", apresentado por Antônio Abujamra na TV Cultura de São Paulo? O apresentador faleceu em 28 de abril de 2015 e o excelente programa de entrevista saiu do ar. Para não deixar morrer a ideia de "Provocações" que este blog criou com argumentos uma pauta para entrevistas com as pessoas para formar o senso crítico e sair da mesmice do dia a dia (clique aqui e leia a postagem intitulada "Que reino queremos?"). 

Conversamos com Jéssica Vianna pelo bate-papo da rede social facebook em 20 de agosto de 2014, às 18h e 06min. A militante do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, respondeu à indagação se ela era candidata à deputada federal nas Eleições de 2014. "Sou candidata e peço seu voto. Política, pra mim, é muito sério, porque estou me dando com a coisa pública. Me dispus a colocar meu nome à disposição como alternativa à esquerda das demais que estão colocadas", explicou e acrescentou.

"Não vou entrar naquele meio pra ser igual. É entrar naquele meio pra denúncia, denunciar, pra fazer diferente, pra defender ideias progressistas, a autonomia das mulheres", expôs suas bandeiras de luta. "Ir na defesa das minorias estigmatizadas", defendeu e esclareceu melhor o seu ponto de vista. "Porque o oprimido não pode ser oprimido e opressor ao mesmo tempo. Há mulheres que reproduzem o discurso do opressor", analisou.

Vivemos em um tempo confuso. O acesso à informação é enorme. A informação entra pela pele sem a gente ao menos sentir, desde bebê. É preciso ter os conceitos bem claros na mente hoje em dia. "Já dizia Lênin que o esquerdismo é a doença infantil do comunismo. Não sou esquerdista, nem sectária, mas não vendo meus princípios", declarou com firmeza Jéssica Vianna e completou o seu raciocínio.

"E se, pra os defender, for preciso nunca alcançar um resultado eleitoral, eu prefiro assim. Não estou nessa por poderes. Estou por direitos", garantiu. Os direitos existem, só não são cumpridos. Quer dizer, apenas quem tem menos poder aquisitivo vai pra cadeia. Não é preciso reformismo. A Constituição Federal de 1988 está toda emendada. "Os direitos não são garantidos pra população mais pobre. Marx é muito presente. A luta de classes se faz presente num assalto, por exemplo...", contextualizou a militante.

Serão mais 300 anos de luta, provocou o blog. "Aquele pretinho da favela que tem seus direitos históricos alienados vai tentar garantir inconscientemente através do cano de uma [espingarda calibre] 12 gritando assalto. Não é fazendo menor cumprir pena como adulto que vai mudar o Brasil, não é aumentando pena que vai mudar o Brasil, porque o Brasil é o país da punidade, da punidade para o pobre. É aquela história: o ladrão de três galinhas está no presídio, o banqueiro está livre porque tem endereço fixo", demonstrou Jéssica Vianna suas ideias.

Mais 300 anos ou mais de sofrimento, provocou novamente o blog. "Espero fazer parte da história de mudança. Quero ser uma das agentes da mudança", afirmou a militante.

Outro momento

Em 1º de julho de 2018, na mesma rede social facebook, Jéssica Viana revelou que se casou com um negro e estava grávida do segundo filho. Sua vida passou por uma reviravolta.

De origem evangélica, ela agora se tornou umbandista. “Eu já sou miscigenada. A umbanda mistura com espiritismo. Santana é Nanã. A umbanda mistura é com tudo, inclusive catolicismo”, expressou-se ao fazer referência a avó de Jesus Cristo, Nossa Senhora Sant’Ana, celebrada ao lado de São Joaquim no dia 26 de julho, data considerada o dia dos avôs.

O catolicismo tradicional e o neopentencostalismo não gostam muito nem da umbanda, nem do candomblé. São religiosidades que sobrevivem marginalizadas e escondidas.

Gravidez

Ansiosa como na primeira gestação, ela estava a sete meses gestando João Ernesto Santos Vianna. Teve o primeiro filho na adolescência. Abraão Pereira Vianna Mota está com 11 anos. Nasceu prematuro de uma gestação de seis meses.

Jéssica Rejane Pereira Vianna é taurina com ascendência em Leão. Comemora aniversário em 15 de maio. Veio ao mundo na Santa Casa de Montes Claros em 1991, quando os socialistas sofriam derrotas atrás de derrotas com a queda do Muro de Berlim em 09 de novembro de 1989.

Foi candidata à prefeita nas Eleições Municipais de 2016 pelo Psol. Esteve frente a frente com Ruy Muniz e Humberto Souto, atual prefeito. Quiseram até impugnar a sua candidatura. “Tive a candidatura impugnada em razão de uma prestação de contas que foi prestada atrasada em 2014. No entanto, estava prestada e aprovada. Enquanto isso, corruptos condenados estavam com suas candidaturas aprovadas pelo TSE [Tribunal Superior Eleitoral]. Essa é a justiça burguesa!”, criticou.

Ela contextualizou a conjuntura político-eleitoral vivida naquele pleito. “A princípio porque vimos, a maioria do partido e eu, a necessidade de uma candidatura feminina e feminista, num cenário em que a primeira presidenta eleita havia sido deposta por um parlamento corrupto e machista”, opinou.

Para Jéssica Vianna, disputar cargos eletivos sempre é enriquecedor. “Valeu a pena, visto que tivemos uma candidatura combativa, que denunciou desmandos e a corrupção instaurada durante o mandato de Ruy Muniz”, citou a desastrosa administração municipal de Montes Claros liderada por Ruy Adriano Borges Muniz e José Vicente de Medeiros, de 2013 a 2016.


Filho

“João: Presente de Deus. Ernesto: Combatente fiel que luta até a morte (em homenagem a Che)”, informou Jéssica Vianna o nome do seu segundo filho nascido em 12 de agosto de 2018. Provocada se hoje, diante do desenvolvimento cada vez mais constante da sociedade capitalista, é mais fácil se tornar rápido um rico ou distribuir a riqueza, ela não titubeia.

“Essa história de que um pobre pode se tornar rico nesse sistema capitalista é uma ilusão vendida pelos donos dos meios de produção para que o proletário venda cada vez mais sua força de trabalho. Na sociedade capitalista vale aquela velha máxima: ‘O rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre’. A tarefa de ficar rico rapidamente é ilusão, já a tarefa de distribuir a riqueza é árdua, depende de uma série de fatores, mas é o que eu, enquanto ser humano e socialista, defendo, inclusive, faço a defesa de uma reforma radical no sistema tributário brasileiro, defendo, por exemplo, a tributação de grandes fortunas, ao invés do tributo sobre o consumo. É um absurdo que um assalariado pague o mesmo imposto que um milionário paga em um kilo de feijão, por exemplo”, demonstrou a psolista, que havia interrompido a entrevista para dar boa noite ao seu primeiro filho.  

"Eu penso com as cabeças das pessoas que eu admiro". Comente a frase de Eduardo Sterblitch. “Não sei em que ocasião Sterblitch disse isso e desconheço as posições políticas dele. No entanto, a frase reflete muito de mim também, afinal, minha admiração pelas pessoas também nasce pela forma como elas pensam, como elas veem o mundo”.

Entrevista interrompida novamente. Vida de grávida é difícil. “Comecei a passar mal (...) Eu estou enorme grávida (...) Estou com medo de estar entrando em trabalho de parto prematuro. Abraão veio prematuro (...) E estou perdendo líquido e sentindo muita dor (...) Eu tive meu primeiro com 15 anos (...) Eu larguei o celular ontem sentindo dores fortes mesmo (...) Eu estou com ‘pré-eclampsia’. Na loucura de hospital, eu me esqueci [da entrevista]".

João Ernesto nasceu em 11 de agosto às 23:06. É leonino.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Ser humano de verdade: Sivaldo Ribeiro dos Santos

João Renato Diniz Pinto (texto)
João Figueiredo (imagens)

Vindos de ônibus do Bairro Acácias, as três pessoas que protagonizaram o Projeto “Palavras e Ideias”, acontecido nesta segunda-feira (28/05) no Auditório Cândido Canela do Centro Cultural Hermes de Paula, chegaram pontualmente às 19h. O casal Sivaldo Ribeiro dos Santos e Lourdes Brito é guiado pelo filho João Francisco desde a parada do ônibus na Praça Doutor Carlos até a Galeria Godofredo Guedes do Centro Cultural. O palestrante do dia é o pai do garoto.

Nascido em Januária, formou-se em Filosofia pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Foi professor no Colégio Marista São José. Encenou o conto “Sorôco, sua mãe e sua filha”, do escritor João Guimarães Rosa, no filme “Outras Estórias”, dirigido por Pedro Bial. Fez o papel que estava reservado para o ator Juca de Oliveira. Agora é o centro das atenções no Projeto “Palavras e Ideias” com a intenção fraterna de ser solidário com o irmão quase gêmeo do Sivaldo, Adimilson Ribeiro dos Santos. Este “sofreu um sério problema de saúde. Esteve internado, passou por cirurgia e precisa de ajuda dos amigos e dos demais humanistas”, informa o agitador cultural João Aroldo Pereira, organizador do evento.

Durante toda a palestra, Sivaldo não teve coragem de mencionar o estado de saúde do seu irmão, que forma com ele a Dupla “Ribeiro e Ribeirinho”. Aroldo Pereira foi quem motivou o filósofo a narrar essa parte da sua vida feito sucesso após o ex-prefeito de Montes Claros no final do mandato de Ruy Muniz (2013-2016), José Vicente de Medeiros, apresentar a dupla no programa “Parada Sertaneja”, canal 04 da antiga Bandeirantes, TV aberta da cidade. Para aqueles que desejam ajudar com qualquer quantia, o banco correspondente é a Caixa Econômica Federal e a Agência é a de número 3044, Operação 013 e Conta Corrente 0003407-0.

“Eu sou o Sivaldo, como foi falado, atleticano de coração. Sou filósofo, cristão, político e não ateu. Não vivo sem essa inspiração. Deste lugar que vou falar com vocês”, apresentou-se o palestrante e recordou a história de vida da sua mãe. Ela nasceu na roça em um povoado chamado Maria Crioula. “É uma rocinha pequena. Mainha pobre, muito pobre. Ela perdeu a mãe aos sete anos de idade. Foi adotada. Casou-se com painho para se livrar da vida que ela levava". Ao contrário da outra família em que estava, mainha se casou com painho para ficar livre e permitir maior liberdade aos 11 filhos que o casal teve, dos quais morreram sete. Os filhos “foram nascendo na roça, em Januária. Aos três meses de nascido, descobriram que eu era cego. Nós mudamos da roça. Mãe trabalhava na roça e ficava sempre devendo”, contou Sivaldo. Era aquele esquema rural dos armazéns, em que a lógica autoritária do proprietário sempre prevalecia à do cliente. “Nunca dava para bancar a vida lá”, afirmou. “Nossa mudança veio numa sacola de plástico”, relembrou ao citar que trabalharam de “meia”, quando o patrão e o empregado dividem o lucro da produção em partes iguais para cada um.

“Um dia, pai me viu cantar e perguntou: por que você não canta mais grosso e o Adimilson mais fino?”, sugeriu. “Fomos para a cidade cantar e pedir esmola. “Passava o pandeiro na praça”, declarou e prosseguiu sua história de vida. “A Anailde morreu antes de irmos para a cidade. Foi uma tragédia muito doida. Toda tragédia é doida”, considerou ao se referir à morte de uma das irmãs. “Painho alcóolatra trabalhando em um abrigo de Belo Horizonte. Mudamos para Betim, mas não dava”, narrou Sivaldo o contexto vivenciado pela sua família na época. “Voltamos para Januária. Moramos debaixo de lona”, detalhou ao dizer que a família reclamou com o prefeito que era necessário ter uma lona nova para morar, porque não dava para morar em casa de papelão.

A família recebeu auxílio da Sociedade São Vicente de Paulo de Januária. Conseguiu até comprar uma casa através do Banco Nacional de Habitação (BNH). “A gente tinha o programa ‘Parada Sertaneja’, com Zé Vicente. Ali que fez a dupla ‘Ribeiro e Ribeirinho’ ficar famosa. José Vicente que nos levou para a televisão”, prezou ao relatar que tem duas pátrias-mães: Januária e Montes Claros.

A família residiu nos bairros Santa Rita de Cássia, Monte Alegre e Vila São Francisco de Assis (Morro do Frade), onde morou em casa de adobe. “Pai bebendo e trabalhando de gari”, evocou Sivaldo a situação em que o chefe da família se encontrava. Naquele instante, ele tomou uma decisão. “Eu tinha uma vontade de estudar desde criancinha. Ler e escrever mesmo. Em 1984, surgiu uma oportunidade. Entre 1985 e 1986, eu não cantei mais na rua”, mencionou.

Sivaldo conheceu naquele período a humanidade de Helena Macedo Lima, moradora da Rua São Francisco, em Montes Claros, e fundadora da Pastoral da Saúde, a quem ele trata respeitosamente por Dona antes de proferir o nome dela, que fazia um trabalho de promoção humana de invejar muitos organismos filantrópicos. Ela dizia: “Quem vê Adimilson e Sivaldo cantar vai ter que pagar caro”, valorizava. “A gente encontra com Dona Helena. Ela era maravilhosamente chata. Ela pôs na nossa cabeça que tínhamos muito o que aprender, mas também muito o que ensinar. Começa aí nossa militância em movimentos sociais”, recordou.

Sivaldo conheceu a datilografia e as letras. “Aprendi rapidinho o braile. Foi muito fácil. A primeira obra que li foi ‘Contrato Social’, de Jean-Jacques Rousseau. Eu comecei a ler e a escrever. Fiz supletivo 1º e 2º graus, sempre ouvindo rádio”, expressou e passou a narrar o concurso federal que prestou para técnico agrícola, onde foi aluno, dentre outros professores, de Georgino Júnior. “O colégio agrícola é um lugar muito bom, é uma família. Deixar aquele ambiente foi uma tristeza horrorosa para mim. Fazia teatro em aula de química. O colégio agrícola permitia tudo para mim”, contudo, “fui fazer meu curso superior de Filosofia. Descobriram que fui reprovado em Química, Biologia e Física. Entrei na justiça. O juiz considerou a liminar para mim e, na época, eu estava fazendo o filme ‘Outras Estórias’, do Pedro Bial. Estava estudando e trabalhando”, esclareceu sua trajetória de vida, na qual prestou vestibular novamente e passou em primeiro lugar.

O filósofo Sivaldo Ribeiro dos Santos espera que a sua experiência de vida não sirva como novela transmissora de sofrimentos repetitivos. “Que cara que sofreu!!!”, exclamou ao se referir ao pensamento das pessoas sobre ele. “Não foi sofrimento. A gente sofre quando está sozinho. Sempre tive pessoas ao meu lado, como painho, mainha, irmãos, irmãs, amigos, amigas. Quando a gente pagou a primeira prestação da geladeira foi uma alegria só”, fez saudosa memória e continuou. “Sempre tive companheiros e companheiras ao meu lado, como Dona Helena, que nos advertia que concurso de sofrimento a gente nunca pode ganhar. Tem que ganhar concurso de superação”, pontuou Sivaldo. Ele passou então a manifestar seu lado afetivo e amoroso.

“Conheci uma ceguinha maravilhosa, que era muito bonita. Ela era guerreira com ternura. Você chegar na Vila Guilhermina, sozinha, pegar ônibus e ir até o Supermercado Opção era uma missão e ela cumpria o combinado”, contou surpreendido Sivaldo Ribeiro dos Santos, que estava dando aula e trabalhando quando a conheceu. “Ela aparenta ser meio doce e profundamente é muito guerreira. Era muita poesia, muito amor. Casar com Lourdinha foi tudo para mim”, confessou Sivaldo ao declamar afetividades à sua esposa, Lourdes Brito. “Ela colocou comida na minha boca na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa. Em 2009, tive um infarto. Não sabia nem que era infarto. Era uma dor horrorosa. Tinha feito muita obra na época”, transmitiu sua emoção ao falar sobre o transplante de coração a que foi submetido por causa do infarto. Sivaldo, que já fez 20 biopsias e morre de medo delas, confidenciou: “Eu sou parceiro do medo”.

Ao final deste Projeto “Palavras e Ideias”, Sivaldo Ribeiro dos Santos, Lourdes e João Francisco seguiram o mesmo trajeto da chegada. Foram embora de ônibus em direção ao Bairro Acácias, onde mora a família.   


João Francisco, Lourdes e Sivaldo 

Lourdes e Sivaldo cantam e 
encantam no "Palavras e Ideias" 

Aroldo Pereira pede a Sivaldo que comente 
sobre a Dupla "Ribeiro e Ribeirinho" 

Plateia prestigia "Palavras e Ideias" 
com Sivaldo Ribeiro dos Santos  

Filósofo Sivaldo observa que o sofrimento não deve ser reforçado para as próximas gerações. Para ele, a suavidade deve prevalecer nas relações sociais pós-modernas

Conforme visão de mundo de Sivaldo, sofrimento de seus pais e de sua família é lembrada como bom saudosismo e não como forma de repetir eternamente os mesmos sofrimentos

Sivaldo encenou o conto "Sôroco, sua mãe e sua filha", de João Guimarães Rosa, no filme "Outras Estórias", de Pedro Bial. Fez o papel que estava reservado para o ator Juca de Oliveira 


De acordo com o filósofo Sivaldo, as companhias que teve pela vida o incentivaram a permanecer firme na fé


Sivaldo é agraciado e parabenizado pela escritora 
e professora Maria do Carmo Veloso Durães


Da esquerda para a direita, Vicente de Paulo Fernandes Leal, João Aroldo Pereira, João Francisco, Lourdes Brito, Sivaldo Ribeiro dos Santos, Maria do Carmo Veloso Durães, José Geraldo Leão Cangussu (Kojak), João Renato Diniz Pinto e João Figueiredo

ESCONDE, ESCONDE? VAMOS AJUDAR A CONTAR? 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10...

ESCONDE, ESCONDE? VAMOS AJUDAR A CONTAR? 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10...
Não, seu moço! É reza! Reza é que salva da loucura! (João Guimarães Rosa). Melhor orar então!!!, pois, a religião é o suspiro do ser humano oprimido (Karl Marx), resultado de situações sem coração, sem espírito. E quando ele não tiver mais este refúgio, pode explodir, às vezes, literalmente, diante do caos social contemporâneo.

PALAVRAS FORMADORAS

Paulo Alves de Souza, 70 anos, educando da Experiência das 40 Horas de Angicos (RN), conta, emocionado:

Naquela época aqui era só mato. Depois do trabalho a gente seguia para a aula com o caderninho debaixo do braço. Aquilo mudou muito a minha vida, porque quando a gente não sabe ler, não participa de nada, a gente não é ninguém.

Panela vazia

"As pessoas choravam quando o viam. A chegada do Papa transformava (pelo menos por algum tempo) seu desespero e apatia. Na Bolívia, um mineiro de pele trigueira subiu na plataforma papal e berrou emocionado: - Obrigado, Santo Padre, por aceitar a teologia da libertação. Obrigado por sua encíclica sobre o trabalho. Eles estão fechando as minas. Ajude-nos porque queremos que elas sejam abertas de novo. Estamos com fome, não temos pão. Que João Paulo II tivesse condenado a teologia da libertação era quase irrelevante quando, pelo mundo todo, milhões de telespectadores podiam ouvir o grito do campesino e ver uma mulher boliviana mostrando ao Pontífice sua panela vazia."

Livro "Sua Santidade João Paulo II e a história oculta de nosso tempo", de Carl Bernstein e Marco Politi, Editora Objetiva, terceira edição, 1996

Teoria e Prática

É espaço do sagrado

A sociedade cala!!! O corpo fala!!!

ÍNDIO

“O cabelo preto e liso, a cor da sua pele, o nariz chato, os olhos amendoados são traços que podemos reconhecer em muitos rostos ‘tipicamente brasileiros’. O que restou de sua religião ainda pode ser encontrado em rituais que herdamos dos escravos africanos. A extrema sensibilidade e o orgulho do índio ainda transparecem na alma brasileira: a facilidade de se sentir magoado ou ofendido e a enorme dificuldade de perdoar, resultando numa grande cautela no relacionamento interpessoal, a fim de evitar conflitos. Dizer coisas rasgadas e abertamente não é francamente o estilo brasileiro” (STRIK, Brasilhoeve, Holanda, 2009, p. 56, in: “Morrer para viver: a luta de Tito de Alencar Lima contra a Ditadura Brasileira”)

Produção

Sentar-se para produzir livros, que é coisa fácil, é impossível quando se é consumido pela intraquilidade e ansiedade e não há tempo para a tarefa mais difícil de todas, que é produzir homens

Martí, 1953, VI, p. 854


Prosperidade

Nossa vida não se assemelha à sua. A sensibilidade entre nós é muito veemente. A inteligência é menos positiva, os costumes são mais puros. Como, com leis iguais, iremos reger povos diferentes? As leis americanas deram ao Norte alto grau de prosperidade e o elevaram ao mais alto grau de corrupção (...) Maldita seja a prosperidade a tanto custo!

José Martí